Cerca de 70% da população mundial atualmente depende da internet para serviços essenciais, e essa interconexão digital tem enfrentado o que especialistas chamam de “epidemia global do crime cibernético”. Robin Geiss, diretor do Instituto das Nações Unidas para Pesquisa sobre Desarmamento (Unidir), enfatizou que os custos anuais deste crime já somam bilhões de dólares e têm afetado significativamente as infraestruturas civis e humanitárias.
O aumento das ameaças cibernéticas levou a uma mudança de paradigma nas respostas a esse fenômeno. A nova abordagem não se limita a aprimorar a segurança nas redes individuais, mas exige uma intervenção conjunta e coordenada, tanto durante quanto após um ataque. Os ciberataques tornaram-se frequentes e sofisticados, apresentando riscos para governos, organizações e a sociedade civil, além de ameaçarem a paz e a segurança internacional.
Históricos como o ataque “NotPetya” em 2017, que ocasionou uma perda de 10 bilhões de dólares, e o “WannaCry”, que comprometeu sistemas de saúde no Reino Unido, demonstram a gravidade do problema. Em 2022, o ataque ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha expôs dados sensíveis de mais de 500 mil pessoas, acentuando a urgência de uma resposta eficaz.
A fragmentação do espaço digital, impulsionada por desenvolvimentos tecnológicos rápidos e diferenças nas políticas e regulações, tem dificultado a adoção de uma abordagem global unificada. Isso tem gerado lacunas que comprometem a capacidade de Estados e organizações de gerirem autonomamente os riscos cibernéticos.
As Nações Unidas estão promovendo iniciativas para criar uma base comum para a resiliência cibernética e facilitar a cooperação nesse domínio. Um dos próximos passos será o lançamento do Mecanismo Global das Nações Unidas para a Segurança das Tecnologias de Informação e Comunicação, que visa unir esforços no combate ao crime cibernético.
Além disso, parcerias estratégicas entre os setores público, privado e acadêmico estão sendo incentivadas para fortalecer a ciberresiliência. Eventos como a Conferência sobre Estabilidade Cibernética do Unidir e a Geneva Cyber Week 2026 têm como foco o compartilhamento de conhecimento e a colaboração na segurança do ciberespaço, promovendo uma resposta coletiva e eficaz contra os desafios do crime cibernético.
Origem: Nações Unidas






