Uma nova iniciativa europeia, o projeto HALO-FORCE, está a ganhar destaque no cenário científico, ao reunir um consórcio de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e outras onze instituições de países mediterrânicos. Este projeto visa explorar o potencial de plantas halófitas, que são aquelas que conseguem desenvolver-se em solos salinos e com pouca água, como alternativas agrícolas resilientes às alterações climáticas.
Ana Marta Pereira, investigadora da FCUP, explicou que o projeto pretende estudar espécies como a salicórnia, a soda e a acelga-brava, que são nativas da costa portuguesa e têm potencial para serem cultivadas em áreas onde as culturas tradicionais já não são viáveis devido ao aumento da salinidade e à escassez de água. A pesquisa focar-se-á na avaliação da qualidade das sementes produzidas pelas populações mais promissoras dessas plantas, proporcionando assim um passo fundamental para a recuperação de zonas húmidas mediterrânicas e a promoção de uma agricultura mais sustentável.
O HALO-FORCE, financiado pelo programa PRIMA no âmbito do Horizon Europe, também buscará identificar e valorizar estas espécies do ponto de vista agrícola e nutricional. Estudos anteriores indicam que as halófitas produzem biomassa rica em minerais e compostos bioativos benéficos à saúde, como flavonoides e ácidos fenólicos.
Além do foco na qualidade das sementes, a equipe da FCUP utilizará tecnologias de imagem multiespectral e métodos avançados de análise genética e fisiológica para desenvolver modelos preditivos baseados em inteligência artificial. Esses modelos permitirão a classificação das sementes quanto à sua viabilidade e maturidade, facilitando a seleção dos ecótipos mais promissores para cultivo.
Ao longo dos próximos quatro anos, o projeto espera contribuir significativamente para a introdução de novas culturas adaptadas a ambientes desafiadores, assim como elevar a resiliência da agricultura mediterrânica face às mudanças climáticas. O consórcio é coordenado pela Universidade de Pádua, na Itália, e inclui parceiros de oito países, reforçando a colaboração internacional em busca de soluções inovadoras e sustentáveis para a agricultura.
Origem: Universidade do Porto






