O papel dos criadores de conteúdo em plataformas de mídia social é considerado essencial para garantir o acesso equitativo das mulheres e meninas à justiça, além de promover a igualdade de gênero e os direitos legais. A afirmação foi feita pela advogada e consultora em violência de gênero, Fayda Belo, durante a 70ª sessão da Comissão sobre o Estatuto das Mulheres, realizada na sede da ONU. Neste encontro, os participantes discutiram estratégias para mitigar as disparidades de acesso à lei enfrentadas por esse grupo.
Fayda destacou a importância da influência digital, ressaltando que deve ser uma voz para aqueles que não têm. Ela enfatizou a responsabilidade coletiva no uso dessas plataformas, utilizando o alcance que possuem para criar um mundo melhor para mulheres e meninas. A especialista em direito antidiscriminatório e feminicídios acredita que influenciadores têm o poder de transformar a justiça, utilizando suas plataformas para facilitar a troca de experiências e promover um entendimento mais claro sobre os direitos das mulheres.
A advogada também fez um apelo para que as redes sociais sejam espaços de diálogo intergeracional, onde crianças e adultos possam discutir formas de prevenir a violência e o acesso à informação legal. Fayda alertou sobre a presença do movimento red pill, que propaga desinformação e alimenta o ódio contra as mulheres online, destacando que as vítimas de misoginia na internet frequentemente são mulheres.
Apesar do grande alcance da comunidade de criadores de conteúdo, que soma cerca de 2 milhões de pessoas, Fayda enfatizou que ainda há um longo caminho a percorrer para consolidar os direitos das mulheres. Ela convocou todos os usuários das redes sociais a se unirem em prol da vida e dos direitos femininos, afirmando que a união de influenciadores, empresas, instituições educacionais e jurídicas pode contribuir significativamente para a construção de um futuro mais justo e igualitário.
Além disso, Fayda recomendou que os pais invistam em conhecimento e conversem com seus filhos sobre esses temas, enfatizando a responsabilidade dos influenciadores em orientar tanto a população quanto o setor empresarial. Fazendo parte do Comitê Permanente do Fórum Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça, ela também é autora do livro “Justiça para todas: o que toda mulher deve saber para garantir seus direitos”, no qual esclarece questões relacionadas a crimes de gênero.
Origem: Nações Unidas





