Os Estados Unidos aprovaram que a TSMC possa exportar para a China — sob um esquema de licenças anuais — equipamentos de fabricação de chips que incorporam tecnologia americana. Essa manobra sugere um mudança de enfoque: menos liberdade regulatória, mas também menos surpresas para a indústria. A decisão surge após relatórios semelhantes sobre a Samsung Electronics e a SK Hynix, e está alinhada com uma estratégia que busca equilibrar duas forças opostas: conter a transferência de capacidades avançadas para a China sem provocar um choque imediato no fornecimento global de semicondutores e componentes associados.
De acordo com os relatórios, o Departamento de Comércio dos EUA (DOC) autorizou a TSMC a exportar “anualmente” determinados equipamentos de fabricação com tecnologia estadunidense para a China. Esse detalhe é crucial: não se trata de uma isenção permanente, mas de uma permissão que é renovada, mantendo assim o controle político e administrativo sobre o fluxo de ferramentas críticas.
O foco está na planta da TSMC em Nanjing, que fabrica chips em nós mais maduros, e que, apesar de representar uma parte relativamente pequena do negócio, é relevante para setores que precisam de volume, estabilidade e custos controlados. Os dados indicam que essa operação aporta cerca de 2,4% da receita total da TSMC.
Esse movimento deve ser compreendido dentro do contexto atual: em agosto de 2025, a Oficina de Indústria e Segurança (BIS), que faz parte do DOC, anunciou que estava fechando uma “lacuna” que permitia que certas fábricas na China acessassem equipamentos estadunidenses sob condições mais flexíveis. A BIS afirmou que as empresas teriam que solicitar licenças para receber artigos controlados pela exportação, mas indicou que sua intenção era aprovar licenças para que as instalações existentes continuassem em operação, sem permitir, no entanto, saltos de capacidade ou tecnologia.
Ao permitir essas exportações sob condições mais restritivas, Washington não está apenas evitando “desligar” fábricas abruptamente, o que poderia causar efeitos colaterais globais, mas também pretende aumentar o controle e ter a capacidade de intervir de forma mais direta.
A aprovação à TSMC segue informações de que os EUA também concederam licenças anuais à Samsung e à SK Hynix para exportar equipamentos para suas operações na China, reforçando a ideia de que a administração americana está adotando um modelo de “continuidade condicionada”: permitir manutenção e operação, especialmente em nós não avançados, mas sob supervisão periódica.
Essa medida promete gerar mudanças significativas no setor. Em resumo, a nova abordagem impõe uma licença com uma vigência limitada em comparação ao modelo anterior de isenção, promovendo maior supervisão, porém oferecendo a tranquilidade à indústria ao reduzir a probabilidade de desdobramentos drásticos.
Contudo, o novo esquema não visa expandir a capacidade avançada na China e pode aumentar a pressão sobre a planejamento industrial chinês. Caso a continuidade dependa de renovações anuais, as fábricas ficam mais vulneráveis ao clima geopolítico.
O que se aguarda é a interpretação dos limites, quais categorias de equipamentos serão contempladas, que condições serão impostas, como será auditado o uso dos mesmos, e se o novo regime se manterá estável ou poderá ser endurecido novamente a depender da dinâmica tecnológica entre Washington e Pequim.






