Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a situação do mercado de trabalho na América Latina revela tanto desafios persistentes quanto avanços significativos na região. Divulgado nesta sexta-feira em Genebra, o documento destaca um crescimento contínuo no emprego, com o desemprego alcançando um dos níveis mais baixos das últimas décadas e a informalidade diminuindo, impulsionada pela criação de empregos formais.
A taxa de emprego na região aumentou de 59,7% em 2024 para 59,9% em 2025, enquanto a taxa de desemprego caiu de 5,8% para 5,3%, o que representa o menor índice em uma década. Entretanto, a situação entre os jovens continua preocupante, com uma taxa de desemprego que chega a 11,3%, em comparação com apenas 4,1% entre adultos com mais de 25 anos. As disparidades de gênero também permanecem, com homens enfrentando uma taxa de desemprego de 4,4% contra 6,3% entre mulheres.
O relatório aponta que, embora as diferenças de gênero na força de trabalho estejam diminuindo, as mulheres ainda enfrentam obstáculos significativos relacionados à distribuição desigual das responsabilidades de cuidado. Isso se reflete na maior dificuldade dos jovens em fazer a transição da educação para o mercado de trabalho, em um cenário de rápida transformação tecnológica.
A taxa de informalidade, que abrange 15 países latino-americanos, caiu para 47,4%, mas ainda representa um desafio, já que quase metade da força de trabalho na região opera sob condições informais. No Brasil, a taxa de informalidade é menor, cifrando-se em 35,6%, embora o país registre uma taxa de desemprego de 7%, abaixo do 7,9% do ano anterior.
Os dados preliminares para 2026 sugerem que o emprego continuará a crescer e o desemprego a diminuir, mas o cenário global de incerteza e transformações estruturais exige políticas que fortaleçam a formalização, a produtividade, a formação e a proteção social. A OIT enfatiza a importância de adaptar as políticas de emprego, promovendo não apenas a criação de postos de trabalho, mas também focando no desenvolvimento de competências e na proteção das condições de trabalho.
Ana Virginia Moreira Gomes, diretora-regional da OIT para a América Latina e o Caribe, ressalta que abordagens diferenciadas e diagnósticos precisos são essenciais para atender às necessidades específicas das empresas e dos trabalhadores, especialmente em contextos onde a informalidade prevalece. O relatório sugere que a melhoria da produtividade através da formalização pode facilitar o acesso a financiamentos e mercados, contribuindo para um ambiente de trabalho mais estável e justo.
Origem: Nações Unidas




