A discussão sobre Inteligência Artificial (IA) mudou de tom. Hoje, não se limita apenas a provas de conceito impressionantes ou às últimas demos de IA generativa, mas gira em torno de uma pergunta mais incômoda: quem está realmente lucrando com a IA — e quem está preso em iniciativas que não trazem retorno.
O Relatório Global de IA 2026 da NTT DATA destaca esse ponto de inflexão, abordando a convergência entre estratégia tecnológica e estratégia de negócios. A tese central é clara: as fronteiras entre essas duas esferas estão se dissipando, onde a IA deixa de ser um mero habilitador e se torna o “sistema operacional” do negócio moderno.
Uma pesquisa global, abrangendo 2.567 executivos seniores em 35 países e 15 indústrias, revela que apenas 15% das organizações são classificadas como “líderes em IA”. Esses líderes se destacam por possuírem uma estratégia clara, maturidade operacional e benefícios econômicos mensuráveis atribuídos ao uso da IA.
Os dados são alarmantes. Enquanto 62,8% dos líderes reportam crescimento de receitas superior a 10%, apenas 25,3% das demais empresas alcançam esse resultado. A rentabilidade também apresenta um contraste drástico: 33,8% dos líderes reportam margens iguais ou superiores a 15%, em oposição a 9,4% do restante.
Essas diferenças não são apenas marginais; são estruturais, atribuídas não à simples adoção de IA, mas sim a como é gerida, aplicada e escalada. Um ponto central é que não se trata apenas de “mais IA”, mas de alinhar a tecnologia com a estratégia de negócios e a rapidez na execução. Entre as empresas com estratégias totalmente alinhadas, 83,6% reportam um aumento de lucros associado à IA no último ano, enquanto esse número cai para 58% nas organizações sem alinhamento.
A pesquisa também destaca a necessidade de adaptação nas estruturas organizacionais. Com o avanço da IA generativa para a IA agencial, o foco passa a ser não apenas em criar, mas em executar. Essa mudança exige um redesenho completo das operações, indo além de conectar um modelo a um processo.
Portanto, o relatório conclui que a verdadeira diferença entre as empresas que lideram e as que ficam para trás não está em simplesmente aumentar o uso da IA, mas em escolher um ou dois domínios de alto valor e redesenhá-los de ponta a ponta. Em um cenário em que a IA gerou massificação, a diferença ficará com aquelas organizações que centralizarem suas governanças e fortalecerem suas infraestruturas, estabelecendo um novo padrão no uso estratégico da tecnologia.






