Entrar em 2026 com uma carteira de crescimento implica aceitar uma verdade desconfortável: a volatilidade não é um acidente, mas o preço de tentar capturar tendências antes que se tornem evidentes. Ainda assim, existe uma lógica que se repete nas listas de “crescimento” que circulam entre investidores: a busca por empresas que não apenas vendem um produto, mas que se colocam no centro de uma infraestrutura futura — seja ela a que movimenta dados, energia, logística, saúde ou conectividade.
Nesse contexto, o “Top 10 Growth Portfolio Positions entering 2026” traz uma seleção de dez empresas que buscam megatendências específicas: economia espacial, convergência entre energia e computação, digitalização financeira, revolução biomédica e o salto para a computação quântica. Não é uma lista para quem procura tranquilidade; é, sim, para aqueles que acreditam que, em mercados de inovação, o tamanho do resultado potencial geralmente importa mais do que a suavidade do percurso.
O primeiro destaque é a Rocket Lab, que é frequentemente associada a seus lançamentos, mas está se posicionando como uma empresa integral de serviços espaciais. Sua proposta está se orientando para a fabricação e operação de componentes-chave para clientes institucionais e comerciais, com um fluxo contínuo de contratos que é atraente para os investidores.
ClearPoint Neuro, por sua vez, oferece uma plataforma de navegação para neurocirurgia, focando na precisão cirúrgica. Seu crescimento depende da adoção clínica e da confiança que os cirurgiões depositam na tecnologia, o que pode resultar em um crescimento mais sustentável em comparação com empresas que dependem exclusivamente de modismos tecnológicos.
Outra aposta na lista é a Jumia, que representa a complexa ideia de construir um comércio eletrônico robusto em várias nações africanas. A empresa promove a logística como sua principal vantagem competitiva, embora enfrente desafios significativos relacionados à execução em um mercado onde a heterogeneidade é a norma.
No setor energético, a Eos Energy surge com uma proposta de baterias de zinco, buscando resolver o “gargalo silencioso” da era da inteligência artificial. A estratégia da empresa envolve o aumento da produção de forma confiável e escalável, algo que os investidores reconhecem e recompensam com base em avanços tangíveis.
Já a AST SpaceMobile está focada em oferecer conectividade direta a telefones móveis a partir de satélites. Embora a ideia seja atraente, ela enfrenta riscos significativos incluindo a necessidade de uma execução técnica perfeita e a superação de barreiras regulatórias.
O cuidado com órgãos é o foco da TransMedics, que desenvolveu um sistema inovador para preservação e transporte de órgãos. Sua proposta é amplamente vista como uma promessa de crescimento que depende da expansão de sua rede operacional e do aumento do uso em hospitais.
Por sua vez, a Viking Therapeutics está inserida em um mercado competitivo de tratamentos para obesidade e diabetes, oferecendo tanto soluções orais quanto injetáveis. O sucesso da empresa dependerá de resultados clínicos e de uma navegação cuidadosa em um ambiente regulatório desafiador.
SoFi procura consolidar-se como um banco digital completo, enfrentando o atual ciclo de liquidez. Seu crescimento está vinculado à capacidade de aumentar sua base de clientes e a eficiência operacional, tornando-se uma aposta a longo prazo no setor financeiro.
IonQ se destaca como uma empresa de computação quântica, que promete revolucionar a forma como processamos informações. No entanto, o investimento nesta área enfrenta grandes expectativas e prazos longos antes que os resultados possam ser validados.
Por fim, a IREN representa uma tendência crescente nas infraestruturas de computação, convertendo operações de mineração em soluções de nuvem. Com um contrato significativo com a Microsoft, a empresa está posicionando-se como um novo player em um mercado que prioriza a potência computacional.
Este “Top 10” ilustra não apenas modas temporárias, mas um mapa de gargalos críticos nas áreas de conectividade, energia, logística, saúde e capacidade computacional. Embora não seja uma carteira “segura”, ela reflete uma coerência com o mundo que está sendo construído. Assim, a verdadeira questão que permanece é se a execução e o financiamento acompanharão essas visões audaciosas.






