A inteligência artificial (IA) está se consolidando como uma força transformadora em diversos setores da vida pessoal e profissional, mas especialistas da ONU alertam para os riscos associados, como a possível redução de empregos e a turbulência social. O secretário-geral António Guterres enfatiza que o futuro da humanidade não pode ser determinado por algoritmos e que é essencial garantir a supervisão humana nos processos decisórios envolvendo a IA, a fim de respeitar os direitos humanos.
Desde a adoção do Pacto Digital Global em setembro de 2024, a ONU se dedica a desenvolver uma governança ética em torno da IA. A educação emerge como um componente crucial nesse contexto, com a Unesco estimando que serão necessários 44 milhões de professores até 2030 para atender à demanda de um sistema educacional em evolução. Shafika Isaacs, representante da Unesco, argumenta que a educação deve ser uma experiência profundamente humana, não apenas um processo técnico.
A preocupação quanto ao impacto da IA nos empregos é crescente, com previsões do Fórum Econômico Mundial indicando que 41% dos empregadores podem reduzir suas equipes por conta da automação. Contudo, a Organização Internacional do Trabalho reforça que a transformação do mercado de trabalho pode não resultar em uma perda líquida de postos, mas sim em uma mudança na maneira como o trabalho é realizado, exigindo trabalhadores adaptáveis e dispostos a aprender continuamente.
A ONU alerta que, se o acesso à tecnologia não for democratizado, as desigualdades entre nações e dentro das sociedades poderão se acentuar. O desenvolvimento de políticas que promovam uma distribuição equitativa dos benefícios da IA é considerado essencial. Em um contexto global, a África enfrenta desafios específicos, como infraestrutura digital inadequada e lacunas de competências, mas também possui oportunidades para acelerar seu desenvolvimento econômico por meio do uso responsável da IA.
Os investimentos em capacitação local, pesquisa e sistemas de IA inclusivos são fundamentais para que a região não seja apenas consumidora de tecnologias desenvolvidas em outros lugares, mas também produtora de soluções adaptadas a suas particularidades. A Comissão Econômica da ONU para a África ressalta que a aplicação da IA em setores como agricultura e saúde pode ajudar os países africanos a superar os modelos tradicionais de desenvolvimento.
Origem: Nações Unidas






