A demanda por minerais críticos, fundamentais para a transição energética e a digitalização, está gerando novas dinâmicas no comércio global e nas políticas industriais. De acordo com uma análise divulgada pela Unctad, a agência da ONU especializada em Comércio e Desenvolvimento, o aumento da procura por elementos como lítio, cobalto e níquel levanta preocupações sobre a concentração da oferta e o controle do processamento desses recursos.
Atualmente, a República Democrática do Congo produz 74% do cobalto global, enquanto a China é responsável por 78% da produção de grafite natural. Mais de 70% do lítio mundial é extraído por Austrália, Chile e China, o que levanta questões sobre a segurança das cadeias de suprimento. Essas concentrações de produção e refino tornam os países dependentes de poucos atores, gerando vulnerabilidades no fornecimento.
Para mitigar esses riscos, vários países em desenvolvimento estão adotando políticas comerciais mais rígidas, introduzindo quase 100 novas medidas desde 2020, incluindo licenças, impostos e proibições de exportação. Esses movimentos visam não só preservar seus recursos, mas também agregar valor ao processamento local. A Unctad destaca que, embora haja um aumento nas colaborações internacionais para a exploração e a cadeia de valor dos minerais, um sistema fragmentado de acordos pode aumentar os custos e complicar os investimentos.
A agência propõe que uma abordagem mais coordenada possa permitir um comércio de minerais críticos mais eficiente e inclusivo, contribuindo para uma transição energética mais rápida e acessível. O desafio central permanece: será que esses minerais se tornarão um ponto de fragmentação ou uma alavanca para uma maior cooperação global?
Origem: Nações Unidas






