Cerca de metade dos cuidadores informais de gatos de rua apresenta níveis moderados de fadiga por compaixão, e 10% exibem níveis elevados, segundo um estudo inédito da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). A pesquisa, que envolveu 172 cuidadores, revelou que esta população, frequentemente invisível, pode representar dezenas de milhares de pessoas em Portugal.
Coordenado pela professora Cristina Costa Santos, o estudo teve como objetivo não apenas traçar o perfil destes cuidadores, mas também entender suas experiências e desafios diários. A maioria dos participantes são mulheres, com uma idade média de 53 anos, que possuem emprego e nível superior, o que contrasta com o estereótipo comum de cuidadores mais velhos e socialmente isolados.
A pesquisa identificou que, apesar da alta satisfação com o cuidado prestado, isso pode não ser suficiente para mitigar o impacto psicológico da constante exposição ao sofrimento dos animais. Os cuidadores expressaram preocupações significativas relacionadas aos custos com alimentação e cuidados veterinários, além de enfrentarem hostilidade e ameaças por parte de vizinhos.
Os dados também mostraram que aqueles que recebem mais apoio familiar tendem a experimentar menos fadiga por compaixão. A professora Cristina Costa Santos enfatiza a importância de dar visibilidade ao trabalho desses cuidadores e sugere a promoção de campanhas de sensibilização e a necessidade de apoio institucional, prático e financeiro.
Cristina defende políticas públicas que incentivem uma gestão compartilhada das colônias de gatos, assegurando que a responsabilidade não recaia apenas sobre um único cuidador. Ela alerta que os modelos atuais de apoio, como os programas de Captura-Esterilização-Devolução, não são suficientes, pois muitas vezes não garantem acompanhamento contínuo dos animais.
A pesquisa envolveu uma equipe multidisciplinar, abrangendo áreas como Psicologia, Veterinária e Bioestatística, destacando a complexidade da situação enfrentada por esses cuidadores e a necessidade urgente de apoio para garantir não apenas o bem-estar animal, mas também a saúde pública e a qualidade ambiental das cidades.
Origem: Universidade do Porto






