As autoridades russas estão enfrentando graves acusações por crimes contra a humanidade, conforme apontado no mais recente relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. O documento revela que milhares de crianças ucranianas foram deportadas ou transferidas à força para a Rússia e áreas ocupadas, em um processo que desrespeita o direito internacional humanitário.
De acordo com a Comissão, mais de 1,2 mil crianças de cinco regiões da Ucrânia foram vítimas desse processo de deportação que, segundo as autoridades russas, foi justificado como “evacuação” devido aos riscos do conflito. No entanto, a pesquisa mostra que, quatro anos após essas ações, cerca de 80% das crianças afetadas não voltaram para suas famílias, o que é considerado uma violação grave de normas internacionais que garantem que evacuações sejam temporárias e feitas somente por motivos de saúde ou segurança.
As investigações revelaram uma política sistemática das autoridades russas, que não informaram os pais sobre o paradeiro dos menores. Muitas dessas crianças foram colocadas sob cuidados de famílias ou instituições em 21 regiões da Rússia, recebendo cidadania russa e sendo inseridas em bancos de dados de adoção, sem que suas famílias pudessem encontrá-las. A situação é ainda mais alarmante, já que muitas famílias buscam seus filhos há anos, o que é caracterizado como um crime de guerra por atrasos injustificados na repatriação de civis.
Além das deportações, o relatório também destaca casos de violência sexual cometidos por membros das forças armadas russas, com testemunhos de casos extremos de abusos. A Comissão também apontou a convocação de soldados de 17 países para lutar na Ucrânia, muitos dos quais foram enganados por promessas de emprego e forçados a assinar contratos que não compreendiam.
As evidências coletadas demonstram a falta de respeito pelas normas de direito internacional humanitário por parte das autoridades russas, que têm promovido uma cultura de impunidade e violência dentro de seus próprios ranks, permitindo abusos sistemáticos contra a dignidade humana. O relatório conclui que a comunidade internacional deve agir para responsabilizar aqueles que cometem tais crimes e proteger os direitos humanos das vítimas neste conflito devastador.
Origem: Nações Unidas






