O terceiro relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o conflito na região do Oriente Médio destaca um aumento alarmante nos ataques a serviços de saúde, comprometendo a operação dos sistemas de saúde e violando o direito humanitário internacional. A situação é particularmente crítica no Líbano, onde esforços militares têm atingido hospitais, ambulâncias e profissionais de saúde, dificultando ainda mais o acesso a cuidados essenciais.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, já havia manifestado sua indignação em relação à normalização desses ataques, enfatizando que a violência não deve ser uma circunstância aceita. Embora um cessar-fogo temporário tenha proporcionado algum alívio no Irã, o mesmo não se aplica ao Líbano, onde as condições de saúde continuam se deteriorando. A OMS ressalta que a pausa nas hostilidades, embora bem-vinda, não é uma solução para os desafios enfrentados em termos de saúde na região.
Além das consequências diretas dos conflitos, o relatório aponta que a infraestrutura civil, especialmente em áreas de energia e dessalinização, foi severamente danificada. Quatro ataques recentes a usinas de dessalinização no Irã, Bahrein e Kuwait levantam preocupações sobre a possível escassez de água, que pode resultar no fechamento de hospitais e surtos de doenças relacionadas à água. Embora as organizações humanitárias tenham conseguido evitar a escassez de suprimentos médicos até o momento, a entrega de ajuda humanitária é limitada por restrições ao espaço aéreo e aumento dos custos de transporte.
Os riscos à saúde continuam a ser severos, incluindo traumas, interrupções no tratamento de doenças não transmissíveis e a potencial disseminação de doenças em abrigos superlotados. Em resposta a essa crise, a OMS está intensificando seus esforços para mapear e priorizar os riscos à saúde, coordenando ações regionais para mitigar as consequências do deslocamento populacional e dos ataques à infraestrutura de saúde.
A agência está concentrando suas ações em garantir a continuidade dos serviços de saúde essenciais, fortalecer a vacinação em áreas vulneráveis e preparar resposta a surtos de doenças. O envolvimento comunitário e a adaptação das estratégias de saúde são considerados fundamentais para atender as necessidades em constante mudança da população afetada, refletindo a complexidade da crise em evolução.
Origem: Nações Unidas






