Após cinco anos desde a tomada do poder pelo Talibã, as mulheres no Afeganistão continuam a enfrentar desafios significativos no mercado de trabalho, conforme destacado em um recente relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O estudo revela que, apesar de uma aparente recuperação econômica com um aumento de 14% na taxa de emprego nacional em relação a 2022, a maioria das oportunidades de trabalho se concentra no público masculino. Enquanto o emprego masculino alcançou um crescimento de 22% desde 2020, o emprego feminino experimentou uma queda drástica, representando menos de um terço dos níveis anteriores ao regime do Talibã.
Com a segunda menor taxa de participação feminina no mercado de trabalho em todo o mundo, a situação evidencia a exclusão das mulheres da economia afegã. Além da marginalização de gênero, o retorno de exilados provenientes do Paquistão e do Irã também agrava a crise do emprego, já que essas pessoas estão buscando se reintegrar em comunidades que já enfrentam altos níveis de pobreza e subemprego.
A OIT alertou que mais de 70% dos trabalhadores afegãos estão envolvidos em setores vulneráveis às oscilações econômicas geradas pela instabilidade política no Oriente Médio. Tite Habiyakare, chefe do escritório da OIT no Afeganistão, reiterou que um mercado de trabalho estável não pode ser construído enquanto uma parte significativa da população, especialmente as mulheres, permanece excluída. Para Habiyakare, garantir acesso ao emprego para mulheres, ao lado de oportunidades para repatriados e jovens trabalhadores, é vital para fortalecer os meios de subsistência e promover um desenvolvimento econômico inclusivo.
Em resposta aos desafios enfrentados, a OIT recomendou que a promoção do emprego produtivo seja uma prioridade nas políticas públicas do Afeganistão. As diretrizes incluem o apoio ao setor privado, reintegração de repatriados e proteção para famílias vulneráveis frente ao aumento do custo de vida, além de sugerir a ampliação do acesso ao trabalho para todos e novos investimentos em pesquisas.
Origem: Nações Unidas






