O Mar Mediterrâneo, uma das regiões mais icônicas do mundo, está enfrentando uma crise ambiental sem precedentes. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 730 toneladas de resíduos plásticos são despejadas nas suas águas diariamente, resultando em severa poluição e comprometendo a biodiversidade marinha. Essa situação, que atinge não apenas o equilíbrio ecológico, mas também as comunidades que dependem do mar para sua subsistência, exige atenção urgente.
O estudo aponta que os plásticos de uso único são responsáveis por mais de 60% do lixo encontrado nas praias mediterrâneas, enquanto no fundo do mar, esses resíduos representam mais da metade dos detritos totais. Além do plástico, outros poluentes como águas residuais, produtos químicos industriais e escoamento agrícola agravam ainda mais a qualidade das águas.
Adicionalmente, os rios que desaguam no Mediterrâneo transportam anualmente cerca de 925 milhões de itens de lixo flutuante, com 82% desse lixo sendo plástico. As populações costeiras, juntamente com a indústria do turismo baseada em práticas não sustentáveis, estão entre os principais contribuintes para esse problema alarmante.
Com as temperaturas na região aquecendo a uma taxa 20% maior do que a média global, a biodiversidade do Mediterrâneo está em grave risco. O Pnuma destaca que além do lixo visível, questões como a acidificação dos oceanos, o aumento do nível do mar e as mudanças nos padrões de precipitação também representam ameaças significativas para os ecossistemas marinhos.
Desde 1975, o Pnuma, através do Plano de Ação para o Mediterrâneo, tem promovido áreas marinhas protegidas e iniciativas de recuperação dos habitats. Com o agravamento das mudanças climáticas, a agência recomenda que os países adotem um planejamento costeiro mais inteligente e focado na preservação das áreas vulneráveis.
Tatjana Hema, coordenadora do Pnuma/Map, reforça a importância da cooperação regional para garantir um Mediterrâneo saudável, que possa sustentar, de maneira sustentável, as comunidades locais e a economia da região. É um chamado à ação para todos os países banhados por esse mar histórico, que continua a ser uma via de conexão e cultura desde os tempos de Homero até os dias atuais.
Origem: Nações Unidas






