A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) expressou preocupações em relação a várias condições propostas pelo Ministério para a Transição Ecológica para regular o crescimento dos centros de dados na Espanha. O regulador acredita que algumas exigências relacionadas à energia renovável, prazos e penalizações podem encarecer os projetos e dificultar a materialização de certos investimentos.
Entre os pontos destacados, a CNMC critica especialmente a exigência de que 80% do consumo de energia dos centros de dados provenha de nova geração renovável, com uma correlação horária rígida. O regulador sugere a aplicação gradual dessas exigências e a possibilidade de maior flexibilidade no armazenamento de energia, dado que a Espanha já acumula cerca de 12 GW em permissões de acesso e conexão para centros de dados, com outros 27 GW em trâmite.
O relatório da CNMC, aprovado no dia 22 de setembro, não representa um veto à regulação do setor, mas sim uma crítica ao desenho de algumas condições propostas. Operadores agrupados na Spain DC, incluindo grandes empresas de tecnologia, veem o documento como um respaldo às suas preocupações de que regras excessivamente rígidas podem comprometer projetos que demandam grandes investimentos e prazos longos.
Uma das questões mais debatidas é a exigência de que 80% da eletricidade consumida em cada hora seja garantida por geração limpa durante essa mesma hora. A CNMC alerta que isso pode resultar em um aumento desnecessário na capacidade renovável e nos sistemas de armazenamento.
O relatório também questiona prazos para os centros de dados que já possuem permissões, propondo que o cumprimento das novas condições seja gradual, considerando eventuais atrasos administrativos. Além disso, as penalizações previstas para descumprimento das obrigações de nova geração renovável foram consideradas excessivas pela CNMC.
Com mais de 32.000 MW de solicitações negadas e uma estimativa de necessidade de potência de computação de 2.500 MW até 2030, a regulação dos centros de dados é vista como crucial para o equilíbrio entre a crescente demanda energética e a capacidade de fornecimento do sistema elétrico espanhol. A decisão final sobre as recomendações da CNMC caberá ao Governo, que poderá optar por modificar ou manter as condições previamente estabelecidas.





