Nos movimentados portos e rotas marítimas do Mediterrâneo, o impacto da navegação sobre o meio ambiente é inegável. Embarcações queimam grandes quantidades de combustível, liberando emissões que contribuem para a mudança climática e poluem o ar ao longo das costas. Essa questão é particularmente preocupante na região mediterrânea, onde a navegação é densa e o mar é semi-fechado, retendo poluentes perto de áreas costeiras densamente povoadas.
Para enfrentar esse desafio, o projeto GreenMED está trilhando um novo caminho. Com o apoio do Fundo Europeu Marítimo, de Pescas e Aquicultura (EMFAF), ele reúne parceiros da Grécia, Espanha, Chipre e Egito para preparar a indústria marítima da região para a transição energética.
No coração do projeto está um novo observatório — o Observatório de Navegação Sustentável do Mediterrâneo, um centro de descarbonização para a região do Mediterrâneo Oriental e além. Este observatório está coletando dados, construindo conhecimento e envolvendo partes interessadas para apoiar soluções mais limpas nos portos e no mar.
A União Europeia visa atingir a neutralidade climática até 2050. Para alcançar essa meta, todos os setores precisam reduzir emissões — incluindo o transporte marítimo. A navegação é um setor historicamente difícil de descarbonizar, mas novas políticas e medidas foram introduzidas, como a inclusão do transporte marítimo no Sistema de Comércio de Emissões da UE e a regulamentação de Combustíveis da UE para Marítimos e Infraestrutura de Combustíveis Alternativos.
O GreenMED ajuda a região mediterrânea a alinhar-se a esses objetivos mais amplos, focando nas necessidades regionais, infraestrutura e oportunidades. Isso não se restringe apenas a metas ambientais; trata-se também do futuro das comunidades costeiras. Portos mais limpos significam melhor qualidade do ar. Novos sistemas de combustível e energia proporcionam novas habilidades e empregos. Além disso, o investimento em infraestrutura verde pode apoiar a economia mais ampla enquanto protege os ecossistemas marinhos.
No seu primeiro ano, o projeto concentrou-se em construir a base para mudanças de longo prazo. Isso incluiu a criação da primeira versão da base de conhecimento do Observatório, com dados sobre navios, uso de combustível, emissões, portos e fornecimento de energia. Também foram analisadas as demandas energéticas dos navios na região, com base em 30 milhões de movimentos de embarcações registrados, identificando opções de combustíveis verdes e tecnologias de economia de energia que podem ser aplicadas no Mediterrâneo.
O Instituto Marinho e Marítimo de Chipre, que lidera o desenvolvimento do Observatório, enfatiza a importância de cultivar parcerias fortes para impulsionar a inovação que atenda às necessidades da indústria enquanto protege o meio ambiente. A Fundação do Porto de Valência, que contribui para o trabalho técnico, ressalta que o objetivo é transformar pesquisas em ferramentas que portos, armadores e fornecedores de tecnologia podem usar para agir.
O trabalho do projeto não cessará quando o financiamento terminar. O Observatório está projetado para continuar operando e crescendo além da duração do projeto, ajudando a região a se preparar para o futuro. Desafios permanecem, especialmente na inclusão de mais parceiros do Mediterrâneo do Sul e na garantia de que os dados permaneçam disponíveis no futuro. No entanto, a equipe do GreenMED está ciente dessas dificuldades e está trabalhando para superá-las.
Com o apoio da União Europeia e o comprometimento de seus parceiros, o GreenMED está ajudando a navegação mediterrânea a navegar rumo a um futuro mais limpo.
Origem: Oceanos e pescas Europa