O alto preço da habitação em Portugal tem gerado preocupações crescentes, com o economista Félix Ribeiro apontando que a valorização do solo é resultado da internacionalização do mercado imobiliário. Em entrevista à Lusa, Ribeiro destacou que a atratividade de Portugal para classes médias globais elevou os preços das casas a níveis inacessíveis para a maioria dos residentes, que enfrentam salários que não acompanham essa tendência inflacionária. “Portugal entrou no radar dos grandes operadores mundiais”, disse Ribeiro, sublinhando que o setor da construção, tradicionalmente voltado para o mercado local, agora concentra seus esforços em atender a demanda internacional.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço mediano das casas em Portugal registrou um aumento de 16,6% no terceiro trimestre de 2025, elevando o custo médio para 2.111 euros por metro quadrado. Essa elevação reflete não apenas a valorização dos imóveis, mas também um descompasso na economia portuguesa, onde os salários permanecem estáticos frente a uma disparada nos preços da habitação. Ribeiro enfatizou que “a economia não está a funcionar de forma integrada”, o que agrava a disparidade entre o custo da vida e a renda média.
Para solucionar esse impasse, o economista acredita que será necessária uma intervenção do Estado, que poderia incluir a capitalização da Segurança Social para o setor habitacional. Ribeiro observa que, embora haja propostas de reforma laboral em discussão, o verdadeiro entrave à economia portuguesa não reside nos salários, mas sim no sistema financeiro que prioriza o financiamento do imobiliário em detrimento de um desenvolvimento mais diversificado. Com mais de 40 anos de experiência na administração pública e academia, Ribeiro continua a influenciar o debate econômico, sendo uma voz crítica e analítica sobre os desafios atuais enfrentados pelo país.
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