O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou um apelo urgente à solidariedade dos cidadãos em Portugal para ajudar as crianças e famílias afetadas pelas recentes cheias em Moçambique. Com um impacto devastador, as inundações já afetaram 690 mil pessoas, sendo mais da metade delas crianças. O Unicef destaca que a situação humanitária se agrava a cada dia, devido às chuvas intensas que ocorreram em dezembro e janeiro no sul do país.
As previsões indicam que o número de afetados poderá aumentar para 800 mil nas próximas semanas, com cerca de 400 mil crianças em risco. Para lidar com essa crise, a agência internacional solicita um financiamento de 5 milhões de dólares, que será crucial para fornecer assistência humanitária imediata. Além disso, recorda que a tragédia coincide com o início da época chuvosa e ciclônica, com a província de Gaza sendo a mais severamente impactada.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique (Ingd) confirma que centenas de milhares de pessoas foram forçadas a deixar suas residências, com mais de 104 mil em centros de acolhimento e cerca de 310 mil em comunidades anfitriãs. As consequências das cheias incluem a inundação de mais de 150 mil casas, a destruição de cerca de 700 e danos em mais de 3 mil. Também estão comprometidas 350 escolas, afetando 226 mil alunos e 6 mil professores.
Danos significativos foram registrados em quase 1.500 km de estradas, pontes e sistemas de abastecimento de água, além de 229 unidades de saúde. A contaminação das fontes de água gera um risco crescente de doenças como cólera, enquanto a interrupção dos serviços essenciais contribui para a subnutrição, abandono escolar e falta de segurança para as crianças.
Em resposta, o Unicef, em colaboração com o governo e outros parceiros, está fornecendo ajuda humanitária nas áreas mais afetadas. Na província de Sofala, a organização está distribuindo água, produtos de saneamento e higiene, beneficiando mais de 13 mil famílias. Em Nampula, estão sendo implementadas medidas de preparação para a cólera.
Catarina da Ponte, responsável de Comunicação do Unicef Portugal, apelou à sociedade, enfatizando que “mais de 306 mil crianças estão em risco imediato”. Ela ressalta a importância de cada contribuição para que o Unicef possa ampliar suas operações e responder adequadamente a esta emergência humanitária.
Origem: Nações Unidas






