A indústria de semicondutores entra na “era de 2 nanômetros”
A indústria de semicondutores confirmou a entrada oficial na “era de 2 nanômetros”, um marco significativo que não se limita apenas à miniaturização de transistores, mas também levanta questões cruciais sobre quem pode fabricar esses componentes a tempo, a que custo e para qual cliente.
A TSMC, líder global em fabricação de chips sob demanda, anunciou que a produção em massa de semicondutores de 2 nm começou conforme o programado, no quarto trimestre. No entanto, o verdadeiro desafio para muitas empresas do setor não reside na funcionalidade da nova tecnologia, mas na pressão que a alta demanda de clientes como Apple e NVIDIA exerce sobre a cadeia de suprimentos. Isso abre espaço para a Samsung Foundry, que se apresenta como uma alternativa viável.
O gargalo agora não é apenas a tecnologia, mas a capacidade de produção. Segundo o Seoul Economic Daily, a TSMC relatou que o início da produção em massa dos chips de 2 nm foi conforme planejado; entretanto, as reservas para esse novo processo já estão quase totalmente comprometidas por pedidos de grandes empresas. Estima-se que o custo das wafers de 2 nm pode ultrapassar 30 mil dólares cada, uma cifra que pode fazer com que os clientes procurem diversificar suas fontes de fornecimento.
O salto para o nó N2 da TSMC representa um avanço significativo em relação ao nó de 3 nm, prometendo ganhos de 25 a 30% em eficiência energética e de 10 a 15% em desempenho, além da adoção da arquitetura Gate-All-Around (GAA). Essas melhorias são extremamente atraentes para setores movidos pela alta demanda por eficiência, como dispositivos móveis de alto padrão e Inteligência Artificial.
Embora a TSMC lidere a corrida, a Samsung está em uma posição que a torna competitiva, já que poderá se beneficiar da sobrecarga da líder do setor e dos custos mais elevados. A Samsung está avançando com seu processo SF2, já produzindo o chip Exynos 2.600 nesse novo nó, embora com melhorias de apenas 8% em eficiência e 5% em desempenho.
Adicionalmente, a situação geopolítica afeta o setor, principalmente com a introdução de uma nova regra em Taiwan, chamada “N-2”, que limita a exportação de tecnologias críticas, dificultando a expansão da TSMC em sua nova fábrica no Arizona. Nesse contexto, a próxima fábrica da Samsung em Taylor, Texas, pode emergir como uma opção apelativa para empresas americanas que buscam produção avançada localmente.
A Samsung pode também se tornar uma fornecedora preferencial para empresas como Qualcomm, Meta, Google e AMD, especialmente em um cenário de aumento de preços e capacidade comprometida na TSMC. A empresa já teria garantido contratos significativos com Tesla e Ambarella, revelando a pressão no mercado que está levando os clientes a considerar alternativas quando a TSMC não consegue atender à demanda.
A leitura para 2026 indica que a competição transcende a simples pergunta sobre qual tecnologia é superior, mas se estende para questões práticas sobre onde e como os chips serão fabricados, e quais são as garantias de fornecimento e controle de custos. Essa nova era de 2 nanômetros não apenas simboliza um novo patamar de miniaturização, mas também reflete uma fase em que a competitividade pode depender tanto da engenharia quanto da disponibilidade de recursos.




