China inova em computação científica com supercomputador 3D Tianqiong
Na vanguarda da computação científica, a China deu um passo significativo no início de 2026, lançando o Tianqiong, um supercomputador 3D projetado para eliminar os gargalos de simulação na dinâmica molecular, química computacional e ciência de materiais. O projeto é desenvolvido pela Shanghai Silang Technology, uma empresa fundada em 2016, que argumenta que o verdadeiro obstáculo à computação moderna não é apenas a falta de FLOPS, mas sim a distância física e lógica entre os cálculos, a memória e as comunicações internas.
Ao contrário das expectativas em relação ao termo “3D”, que poderia sugerir gráficos ou renderização, o Tianqiong organiza seu sistema em uma topologia tridimensional, reduzindo a latência entre o cálculo e a memória. Esta abordagem é crucial em simulações científicas que exigem interações complexas entre partículas, onde o tempo de acesso à memória pode impactar significativamente o desempenho.
O coração do Tianqiong é a MaPU, uma arquitetura única que se especializa em operações algébricas e em executar eficientemente padrões computacionais frequentemente usados nas simulações científicas. A MaPU busca um equilíbrio: ser programável, mas com um design menos genérico que as CPUs tradicionais, a fim de evitar ineficiências em problemas específicos.
Segundo informações veiculadas por veículos de comunicação chineses, o Tianqiong teria alcançado ganhos de desempenho de 2 a 4 ordens de magnitude em simulações 3D específicas, superando os métodos tradicionais. No seu planejamento, o primeiro protótipo funcional foi apresentado em 2022, seguido pela implementação de um centro de computação 3D na cidade de Xiaogan, Hubei, com a meta de oferecer capacidade para equipes de pesquisa e empresas.
O surgimento do Tianqiong não deve ser visto apenas como uma conquista regional, pois reflete uma tendência crescente em direção a supercomputação especializada, focando na resolução eficiente de problemas complexos em áreas como materiais, fármacos e química, ao invés de competir em benchmarks universais. Este movimento se alinha com os desafios tecnológicos e geopolíticos atuais, onde a inovação na arquitetura se torna uma estratégia essencial diante de limitações no setor.
Entretanto, para que o Tianqiong se torne uma infraestrutura amplamente adotada, será necessário desenvolver um ecossistema robusto de software que permita uma transição suave para os laboratórios que desejam migrar para esta nova plataforma, abordando questões de validade científica e reprodutibilidade.
Assim, a história do Tianqiong poderá não apenas alterar a cena da computação científica na China, mas também oferecer uma mensagem importante sobre a eficiência e a especialização na supercomputação em uma era de crescente competição tecnológica global.





