Uma equipe internacional de cientistas, incluindo o professor português Fernando Schmitt da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, está prestes a transformar o diagnóstico do câncer do colo do útero com uma abordagem inovadora. O estudo recém-publicado na revista Nature mostra como uma nova técnica automatizada, que utiliza inteligência artificial (IA), supera o tradicional teste de Papanicolau, conhecido por sua dependência da avaliação subjetiva de profissionais.
O método desenvolvido permite uma análise detalhada de amostras de células do colo do útero, avaliando-as como normais ou anômalas. “A utilização da inteligência artificial na clínica permite avaliar as características celulares e classificá-las corretamente”, afirma Schmitt, um dos principais especialistas em citopatologia mundial.
O estudo, intitulado “Clinical-grade autonomous cytopathology through whole-slide edge tomography”, também envolveu colaborações de cientistas e instituições de prestígio do Japão, China e Estados Unidos. com foco não apenas na precisão, mas também na rapidez do diagnóstico. Atualmente, a avaliação das células é feita de forma manual, o que pode levar a interpretações variáveis.
O novo sistema de IA, que faz triagens de forma autônoma e precisa, tem o potencial de detectar lesões precoces, facilitando o tratamento e salvando vidas. Ao criar uma imagem em 3D das células em tempo real, o método encara novos desafios, como reduzir os erros humanos, que são comuns nas análises realizadas por especialistas.
Com a validação em milhares de amostras reais, a abordagem com IA promete beneficiar não apenas os profissionais de saúde, mas também os pacientes, oferecendo um diagnóstico mais preciso e uma melhor qualidade de vida. Cientistas envolvidos no projeto expressaram entusiasmo em implementar essa tecnologia na prática clínica em breve, indicando que ela poderá ser uma ferramenta vital no combate ao câncer do colo do útero em diversas populações ao redor do mundo.
Origem: Universidade do Porto






