Nos últimos meses, a Tesla tem mudado seu foco no desenvolvimento de semicondutores, uma mudança que reflete a crescente importância da Inteligência Artificial (IA) em sua estratégia de negócios. Enquanto o supercomputador Dojo, projetado para treinar modelos de direção assistida e robótica, era o principal tema de discussão na empresa, agora é a nova família de chips AI — incluindo AI5 e AI6 — que tem ganhado mais destaque.
Em declarações recentes, Elon Musk enfatizou a urgência dessa nova linha de chips, afirmando que “resolver AI5 era existencial” para a empresa. Essa afirmação revela que o avanço nesta tecnologia é crucial para a continuidade não apenas da autonomia dos veículos, mas também do treinamento massivo que a Tesla planeja para suas futuras soluções em IA.
Para acelerar o desenvolvimento de novos chips, Musk propõe um ciclo de design de aproximadamente nove meses, uma meta ambiciosa que busca acompanhar a rápida evolução tecnológica da indústria. Este ritmo acelerado de inovações pretende colocar a Tesla em uma posição competitiva em um mercado onde a agilidade é cada vez mais essencial.
Além do software, a maneira como a Tesla pretende fabricar e embalar seu silício também está mudando. A empresa, que tradicionalmente dependia da TSMC para a fabricação de chips, está explorando a possibilidade de um modelo modular em que a Samsung Foundry seria responsável pela fabricação e a Intel pelo empacotamento avançado. Esta abordagem diversificada, se confirmada, poderia melhorar a eficiência do processo de produção e fornecer maior flexibilidade na montagem de chips para veículos, robôs e servidores.
O setor de empacotamento de semicondutores, onde tecnologias como EMIB da Intel desempenham um papel crucial, será determinante na competitividade dos chips. A Tesla está focada em criar uma arquitetura escalável que permita a interconexão de múltiplos chips, uma estratégia importante para a automação e o desempenho de seus produtos.
Outro movimento estratégico da Tesla inclui um contrato multimilionário com a Samsung para a produção de AI6 em uma nova fábrica em Taylor, Texas. Este contrato de cerca de 16,5 bilhões de dólares não apenas assegura a capacidade de produção, mas também reforça a intenção da empresa de manter operações significativas nos Estados Unidos, alinhando-se com uma tendência nacional de atrair tecnologias avançadas para o país.
Em meio a essas mudanças, a narrativa em torno do Dojo 3 também evoluiu. Após um período de reorganização, a Tesla está retomando o trabalho nesse projeto, utilizando o silício desenvolvido internamente como parte de uma plataforma integrada que abrange desde a borda até o data center.
A proposta final da Tesla envolve um modelo verticalmente integrado, no qual a empresa não apenas projetaria seus próprios chips, mas também controlaria o empacotamento e a implementação em seus veículos e sistemas robóticos. Essa visão é cara e técnica, mas representa a ambição da Tesla de não depender de parceiros externos, como NVIDIA ou AMD, em um setor onde a Inteligência Artificial está se tornando cada vez mais preponderante.
Assim, a Tesla não apenas busca inovar em suas ofertas de produtos, mas também redefine suas estratégias de fabricação e desenvolvimento em um mercado altamente competitivo e dinâmico.





