Um ano após a implementação do autoproclamado “Dia da Libertação” e as taxações elevadas por Donald Trump, o panorama econômico nos Estados Unidos mostra-se bastante diferente do prometido. Em vez de forçar os grandes exportadores a reduzirem seus preços para manter o acesso ao mercado americano, as novas tarifas provocaram uma reorganização das rotas comerciais globais. Países como a China e a União Europeia rapidamente buscaram alternativas, deslocando parte significativa de suas vendas para novos destinos, atenuando o impacto do protecionismo imposto por Washington.
De acordo com uma análise do think tank Bruegel, mencionada pelo Público, tanto a União Europeia quanto a China utilizaram suas diversificadas estruturas de exportação para minimizar os efeitos das tarifas americanas. No caso da Europa, após um aumento nas exportações para os EUA em março de 2025, com a antecipação das tarifas, as vendas estabilizaram, enquanto as exportações para o restante do mundo cresceram quase 100 bilhões de euros. A China, por sua vez, experimentou uma redução de 109 bilhões de dólares em vendas para os EUA entre abril e novembro de 2025, mas compensou com um aumento de 260 bilhões de dólares em exportações para outros mercados, especialmente no Sul Global.
Essa capacidade de redirecionar mercadorias resulta na ausência de necessidade de redução de preços por parte dos exportadores para manterem-se competitivos nos EUA. Assim, quem arca com os custos são principalmente as empresas e os consumidores americanos. Um estudo do Instituto Kiel para a Economia Mundial revela que, para cada 100 dólares gerados em tarifas, 96 dólares são pagos diretamente pelos consumidores americanos, manifestando-se em preços elevados e inflação persistente, enquanto apenas 4 dólares correspondem a menores margens para os produtores estrangeiros. Com tarifas acima dos níveis anteriores à era Trump e sem sinais de uma relocalização industrial significativa, o efeito líquido dessa política está claro: países foram forçados a novos mercados, enquanto os americanos enfrentam as consequências.
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