A Samsung Electronics deu um passo importante em direção à operação de sua nova planta de semicondutores em Taylor, Texas, ao receber uma aprovação temporária de ocupação para parte do edifício principal. Essa autorização, conhecida como Temporary Certificate of Occupancy (TCO), permite que áreas específicas sejam utilizadas mesmo antes da finalização total do complexo. A medida é vista como um sinal de que o projeto está entrando em uma fase mais “industrial” do que puramente construtiva, o que significa que a preparação para testes e instalação de equipamentos pode começar.
De acordo com informações disponíveis, a autorização temporária abrange aproximadamente 8.175 metros quadrados dentro da primeira unidade da fábrica. Uma fonte municipal destacou que a emissão desses certificados está sendo realizada “por zonas”, com a expectativa de aprovações adicionais para áreas maiores, embora sem um cronograma definido. Em uma instalação dessa magnitude, cada validação parcial pode desbloquear trabalho que ficaria pendente da aprovação final.
Com um investimento estimado em 37 bilhões de dólares, a planta de Taylor deve completar 557.400 metros quadrados de área construída até o final deste ano e outros 92.903 metros quadrados até 2028. O campus ocupará cerca de 512,7 hectares, refletindo a importância da corrida por capacidade de fabricação avançada em solo estadunidense.
Há também indícios de que o projeto já atraí contratos paralelos. Um exemplo mencionado na cobertura inclui um acordo com uma empresa sul-coreana para fornecer equipamentos de limpeza, com prazo de entrega para o final de outubro, essencial para preparar a planta para operar com as exigências de salas limpas.
A Samsung planeja iniciar testes com equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV) em março, uma etapa crucial para a fabricação de chips avançados, especialmente com tecnologias de 2 nm. Esses testes são parte do cronograma de aceleração do projeto, que vislumbra um aumento significativo na produção a partir da segunda metade de 2026.
A planta de Taylor está intimamente ligada ao cliente chave, a Tesla, que em julho de 2025 anunciou um acordo de fornecimento no valor de 16,5 bilhões de dólares para a fabricação de chips de próxima geração. Esse vínculo é fundamental para a estratégia da Samsung, que busca diversificar sua clientela e reduzir riscos associados a dependências de fornecedores únicos.
A movimentação da Samsung ocorre em um ambiente de alta competitividade, onde a TSMC continua a ser uma referência e sinaliza investimentos substanciais para 2026, impulsionados pela demanda crescente por chips. A empresa sul-coreana está ampliando sua carteira de clientes americanos, e nomes como Google e AMD estão entre as possibilidades, embora formalizações ainda não tenham sido anunciadas.
Esse avanço na fabricação de chips tem implicações diretas para o consumidor final, pois mais produção significará disponibilidade de chips para automóveis, centros de dados e dispositivos conectados. Para a Tesla, a capacidade aprimorada de chips de IA pode influenciar desde sistemas de condução assistida até inovações em robótica.
Se a Samsung conseguir acelerar a operação da planta em Taylor, os Estados Unidos ganharão um importante ator na fabricação de tecnologia avançada, um objetivo desejado por governos e empresas em busca de resiliência nas cadeias de suprimentos. No entanto, o desafio permanece: não é suficiente construir uma fábrica; é crucial produzir de maneira eficaz e em escala.






