A mais recente sessão dos Encontros com Livros teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e contou com a presença do renomado escritor Richard Zimler. O evento proporcionou uma rica discussão sobre a importância da literatura na preservação da memória histórica e individual, destacando a capacidade da escrita de resgatar vozes que foram silenciadas ao longo da história. A sessão foi enriquecida pelas intervenções da Professora Emérita Fátima Marinho e do Professor Alexandre Quintanilha, que contribuíram com leituras e análises críticas da obra de Zimler.
Fátima Marinho iniciou a conversa com uma análise da forma como os romances de Zimler intercalam o trauma e a intriga policial, sublinhando a sua missão de reivindicar vozes esquecidas, especialmente a de grupos marginalizados como os judeus em Portugal durante a Inquisição. Esta temática se tornou central após Zimler investigar a falta de reconhecimento público sobre os massacres enfrentados por essa comunidade histórica.
No decurso da conversa, Zimler partilhou um momento íntimo ao contar como a literatura foi fundamental na vida de sua mãe, que enfrentou sérios problemas de saúde mental. Ele enfatizou que a leitura se transformou em um espaço de sobrevivência emocional para ela, refletindo assim o papel terapêutico que a literatura pode desempenhar na vida das pessoas. Alexandre Quintanilha, também presente, leu um excerto de “A Aldeia das Almas Desaparecidas”, contribuindo para um ambiente intimista que aproximou o público da sua obra e do seu processo criativo.
Durante a sessão de perguntas, Zimler explicou que o trabalho para cada livro leva aproximadamente dois anos, divididos entre pesquisa e escrita. O autor revelou que inicia suas obras em inglês para, depois, traduzir para o português, um processo desafiador que exige cuidados para garantir que os significados sejam mantidos. Ele manifestou sua admiração pela complexidade da língua portuguesa, reconhecendo os desafios que isso representa para um escritor.
Além disso, Zimler expressou sua preocupação com o impacto das redes sociais nos hábitos de leitura, levantando questionamentos sobre como leitores habituados a conteúdos curtos podem se adaptar a narrativas mais longas e complexas. Ao mesmo tempo, ressaltou a importância do pensamento crítico que a literatura pode oferecer, encorajando a perseverança e a criatividade entre novos autores, mesmo diante de rejeições.
A sessão culminou com uma reflexão sobre identidade cultural e a perseverança dos imigrantes, reafirmando o papel da literatura na construção de novas narrativas e identidades em um mundo em constante mudança. Zimler e Quintanilha encerraram a conversa com uma nota de cumplicidade, destacando a importância de criar um ambiente propício para que a criatividade flua livremente.
Origem: Universidade do Porto





