A Assembleia Geral das Nações Unidas tomou uma decisão histórica nesta quarta-feira, ao adotar uma resolução que reconhece o tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. A votação contou com o apoio de 123 Estados-membros, enquanto três votaram contra e 52 se abstiveram, entre os quais Portugal.
Os países lusófonos, incluindo Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, e Moçambique, manifestaram apoio à proposta, que foi copatrocinada por Timor-Leste. O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que esse reconhecimento é um passo crucial para honrar as vítimas desse comércio e que deve ser acompanhado por ações concretas, incluindo pedidos de desculpas e a criação de um fundo de reparações.
O documento aprovado classifica o tráfico de africanos como uma ruptura profunda na história humana, ressaltando que suas consequências se estenderam por séculos e continentes. É destacado que as reivindicações por reparações são essenciais para abordar as injustiças históricas que continuam a afetar os africanos e pessoas de ascendência africana. A resolução também solicita a restituição de bens culturais, destacando a importância de fortalecer a cooperação internacional em relação às reparações.
Em seu discurso, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, recordou o impacto duradouro do trabalho escravo e as famílias despedaçadas pelo tráfico. Ela ressaltou a necessidade de enfrentar essas injustiças como um imperativo moral e uma responsabilidade coletiva. O secretário-geral Guterres reafirmou que um futuro enraizado na liberdade, igualdade e justiça é possível, ressaltando a importância da verdade e da reparação na construção de sociedades mais justas e inclusivas.
Este momento histórico representa um reconhecimento significativo do impacto do comércio transatlântico de escravos e um chamado à ação para garantir justiça e reparação para aqueles que sofreram suas consequências ao longo do tempo.
Origem: Nações Unidas






