Entre 1990 e 2024, o cenário da infância em Portugal passou por mudanças significativas, com a proporção de crianças na população total caindo de 25,2% para 15,5%. Paralelamente, o número de nados-vivos por mil mulheres em idade fértil caiu de 46,5 para 37,9, enquanto a idade média das mães ao darem à luz seu primeiro filho aumentou de 24,9 para 30,3 anos.
Em 2024, os dados mostram que 95,7% das crianças com 6 anos completaram o plano de vacinação para doenças como sarampo, papeira e rubéola. Contudo, 3,6% das crianças enfrentaram dificuldades para acessar consultas ou tratamentos dentários e 4,5% apresentaram limitações em suas atividades cotidianas devido a problemas de saúde prolongados.
No que diz respeito ao acompanhamento formal, em 2025, 57,6% das crianças até 3 anos estavam sob cuidados, enquanto esse percentual caiu para 43,8% entre as crianças com 4 ou mais anos. A redução no número de alunos matriculados no ensino não superior é preocupante, com uma diminuição de 19,5% em relação a 1990/1991, apesar da taxa bruta de pré-escolarização ter alcançado 100,6%.
Em termos de proficiência, os dados de 2022 indicam que apenas 76,8% dos alunos com 15 anos atingiram um nível mínimo em leitura, enquanto 70,2% conseguiram essa marca em matemática, refletindo uma diminuição em comparação a 2012. A taxa de risco de pobreza entre crianças até 17 anos foi de 17,6% em 2024, com números alarmantes para famílias monoparentais e numerosas.
Os desafios habitacionais também se agravam, com 20,8% das famílias com crianças vivendo em condições de insuficiência de espaço e 10,2% em situações severas de privação. A impossibilidade de levar crianças a férias anuais e a restrição na participação em atividades extracurriculares ou de lazer afetam cada vez mais a qualidade de vida.
Por outro lado, o número de beneficiários do abono de família para crianças e jovens se mostra elevado nos municípios do interior, apesar das dificuldades urbanas. A segurança das crianças também se torna uma preocupação crescente, com 3.307 crimes contra menores registrados em 2025, o maior número desde 2014, destacando a violência doméstica e o abuso sexual como as principais ameaças. A realidade da infância em Portugal, portanto, exige medidas urgentes e eficazes para garantir um futuro mais seguro e saudável para as novas gerações.
Origem: Instituto Nacional de Estatística





