Em um contexto de crescente dependência digital e interconexão global, Portugal se destaca como um hub estratégico no setor de cabos submarinos, responsável por 99% do tráfego internacional de dados. A cidade do Porto recebe a partir de hoje a segunda Cimeira Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos, com o respaldo da União Internacional de Telecomunicações (UIT). O evento, que reúne especialistas e autoridades do setor, tem como objetivo discutir a importância e os desafios dessa infraestrutura crítica.
A presidente da Autoridade Nacional de Comunicações de Portugal, Anacom, Sandra Maximiano, ressaltou a localização geográfica única do país, que serve como um ponto de encontro entre Europa, Américas e África. Ela enfatizou que cabos como o EllaLink, que conecta diretamente Portugal ao Brasil, e o Medusa, são exemplos de investidas que solidificam a posição de Portugal no corredor global de dados. Maximiano destacou ainda a necessidade de desenvolver rotas alternativas e resilientes para atender à crescente demanda gerada pela economia digital, como serviços em nuvem e inteligência artificial.
O encontro aborda não apenas o desenvolvimento e a expansão da infraestrutura, mas também os riscos associados a danos nos cabos submarinos, que podem ser causados por atividades marítimas, problemas ambientais e até atos de sabotagem. Maximiano alertou que aproximadamente 70% das interrupções nos serviços são causadas por atividades humanas, enquanto 10% estão ligadas a fenômenos naturais.
Além disso, foi anunciado um projeto inovador em Timor-Leste, onde Portugal está apoiando a implementação de um cabo submarino que ligará a capital do país a Darwin, na Austrália. Este projeto é apresentado como uma oportunidade revolucionária para transformar o acesso digital em Timor.
Outro destaque da Cimeira é a inovação dos cabos “inteligentes”, que são equipados com sensores capazes de monitorar condições ambientais e emitir alertas para prevenir danos. Essa tecnologia pode ser crucial na luta contra as mudanças climáticas, fornecendo dados sobre a temperatura do oceano e possíveis tsunamis.
As discussões em Porto visam não apenas a melhoria da conectividade, mas também a promoção de uma regulamentação internacional que minimize os riscos para essa infraestrutura essencial, incentivando a cooperação entre países. A expectativa é que o evento sirva como um catalisador para colaborações futuras e inovações que mantenham a segurança e a eficácia das redes de cabos submarinos.
Origem: Nações Unidas





