O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou recentemente a nova edição das Estatísticas Agrícolas de 2025, que apresenta dados relevantes sobre a agricultura, a floresta e a indústria agroalimentar em Portugal, com base no ano agrícola de 2024/2025. Este período foi notável por temperaturas elevadas e chuvas irregulares, culminando no verão mais seco e quente dos últimos 94 anos. Apesar dessas condições climáticas desafiadoras, a disponibilidade de água permanceu favorável, levando a uma campanha de pastagens e culturas forrageiras excepcional.
Entretanto, a produção de cereais, batatas, vinho e citrinos foi impactada negativamente, tanto pelas condições meteorológicas adversas quanto pela pressão de doenças. Por outro lado, a produção de azeite manteve-se em níveis elevados. No setor da produção animal, houve um aumento de 3,1% na produção total de carne, impulsionado principalmente pelo crescimento na produção de carne suína e de frango, além de um novo recorde na produção de ovos. A produção de leite permaneceu estável, e a indústria de lacticínios registrou números semelhantes aos do ano anterior. A indústria alimentar permaneceu como a principal atividade na indústria transformadora, representando 16,6% do valor total das vendas industriais.
Em termos econômicos, os índices de preços da produção agrícola subiram 1,6%, refletindo um aumento na valorização da produção animal, enquanto os preços dos bens e serviços de consumo corrente na agricultura tiveram uma baixa de 1,0%. Apesar do crescimento do Valor Acrescentado Bruto (VAB) em 2,9%, o rendimento da atividade agrícola, em termos reais, caiu 4,5%, principalmente devido à diminuição de subsídios à produção. O VAB na silvicultura e exploração florestal também diminuiu em volume, permanecendo em 0,5% da economia nacional.
Portugal continua a enfrentar grandes contrastes no autoaprovisionamento alimentar, com os cereais apresentando um nível crítico de 16,8%, enquanto o azeite, arroz e vinho mantiveram níveis excedentários. A produção nacional garantiu 75,1% do consumo de carne e 88,4% do de leite e produtos lácteos. No entanto, o défice da balança comercial de produtos agrícolas e agroalimentares aumentou para 6,3 mil milhões de euros, ao passo que o excedente da balança comercial de produtos florestais caiu para 2,7 mil milhões de euros.
No que diz respeito ao meio ambiente, as vendas de produtos fitofarmacêuticos subiram 2,7%, enquanto o consumo de fertilizantes reduziu-se em 10,1%. As emissões de gases de efeito estufa provenientes da agricultura diminuíram em 1,2%, mesmo com o aumento do consumo de energia. Infelizmente, a temporada de incêndios culminou em 8.277 ocorrências, um aumento de 31,5% em relação ao ano anterior, resultando na queima de 270,7 mil hectares em Portugal Continental, tornando 2025 o segundo ano mais severo da última década.
Origem: Instituto Nacional de Estatística




