O mercado de notebooks enfrenta custos crescentes e queda brusca nas vendas na China
O mercado de notebooks começou 2026 com um sinal alarmante que não pode ser ignorado. Entre janeiro e fevereiro, o canal online de venda pública na China continental registrou apenas 947 mil unidades vendidas, uma queda de 40,5% em relação ao ano anterior, com a receita acompanhando a tendência negativa e totalizando 5,99 bilhões de yuanes. Embora esses números se refiram apenas a uma parte do mercado chinês e excluam plataformas de comércio eletrônico populares como Douyin e Kuaishou, a magnitude da redução acende um alerta significativo para a indústria.
A explicação mais simples seria atribuir esta queda à ascensão da Inteligência Artificial (IA), mas a realidade é mais complexa. A IA não está apenas sendo responsável pela diminuição das vendas de notebooks; sua crescente demanda está impactando diretamente a economia dos componentes que compõem esses dispositivos. Em 2025, muitos consumidores já anteciparam suas compras, movimentando o mercado antes que a demanda caísse e, como resultado, a indústria se vê agora diante de uma resaca e menor renovação de equipamentos, justo quando os custos de produção estão aumentando.
O retrocesso na China não acontece isoladamente. Durante 2025, a região da Ásia-Pacífico experimentou um crescimento no mercado de PCs, impulsionado pela troca de equipamentos antigos e o aumento nas vendas antes da imposição de restrições de fornecimento e aumento de preços. Contudo, a IDC prevê uma queda de 13,7% em 2026, resultante da escassez de componentes e a perda de impulso após o ciclo de renovação.
A pressão sobre o mercado de notebooks está também ligada à cadeia de suprimentos. De acordo com a TrendForce, os fabricantes de memória estão redirecionando sua capacidade para atender à crescente demanda por servidores e infraestrutura para IA, resultando em uma elevação significativa nos preços da memória DRAM e NAND Flash. Em fevereiro, as previsões foram ainda mais pessimistas, com aumentos de até 95% nos preços da DRAM convencional esperados para o primeiro trimestre de 2026.
Para os consumidores, esses aumentos de custos se traduzem diretamente no preço final dos notebooks. Um modelo de gama média que custava cerca de US$ 900 pode ter seu preço elevado em até 40% devido a essas dinâmicas de mercado.
Os dados da China, embora alarmantes, não indicam necessariamente uma queda global instantânea. No entanto, refletem um deterioração mais ampla no setor. A IDC revisou sua projeção para 2026, prevendo uma queda de 11,3% nas remessas mundiais de PCs, e mesmo que o valor do mercado possa subir devido aos preços mais altos dos produtos, a realidade é de menos unidades sendo vendidas, mas a um custo maior.
O principal problema é que, atualmente, o notebook não apenas compete com tablets e smartphones pelo orçamento do consumidor, mas também com o crescente investimento em infraestrutura de IA. A situação tende a continuar tensa a curto prazo, onde a possibilidade de uma comparação de preços se torna mais comum, e a perspectiva é que o mercado de notebooks entre em uma fase de esfriamento, onde vender menos será uma nova realidade para grande parte do ano.






