O relator especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Tomoya Obokata, adverte sobre o crescimento alarmante do tráfico humano no Sudeste Asiático, onde muitos indivíduos, iludidos por promessas de emprego, tornam-se vítimas de exploração. A inquietante denúncia foi feita durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra.
Obokata revelou que os recém-formados e trabalhadores, atraídos por anúncios falsos prometendo carreiras em marketing digital e comércio eletrônico, acabam sendo forçados a participar de fraudes online. Um caso emblemático é o de “Fadi”, um sírio que, em maio de 2025, respondeu a um anúncio de emprego que prometia um cargo em marketing cibernético no Laos, apenas para descobrir que sua vida estaria em risco.
Após uma longa jornada que incluiu múltiplas paradas, Fadi foi levado a uma província remota e confinado em um complexo, onde teve seu passaporte confiscado. Forçado a trabalhar em operações fraudulentas, apenas conseguiu escapar após meses de abusos. Ele relatou uma crescente sensação de perigo ao notar a presença de homens armados e mascarados controlando os acessos ao local.
A ONU identificou padrões comuns de recrutamento nas redes sociais, onde os golpistas utilizam táticas para ganhar a confiança das vítimas. Fadi, após conseguir comunicar-se com organizações de direitos humanos, recebeu a assistência necessária e finalmente pôde deixar a situação angustiante.
Tomoya Obokata destacou a urgência de ações globais contra o tráfico humano e a exploração laboral, mencionando que atualmente, cerca de 28 milhões de pessoas vivem em condições de trabalho forçado, incluindo 138 milhões de crianças vítimas do trabalho infantil. Ele enfatizou a importância de verificar a legitimidade das ofertas de emprego e de fornecer apoio psicológico e legal adequado a sobreviventes. A ONU continua a promover iniciativas para combater a escravidão contemporânea, alinhadas ao centenário da Convenção sobre a Escravidão.
Origem: Nações Unidas





