Neste domingo, teve início o processo que resultará no encerramento do mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental, conhecida como Minurso. Em uma declaração feita em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou o compromisso da organização em buscar uma solução política que seja justa, duradoura e mutuamente aceitável, garantindo assim o direito inalienável à autodeterminação do povo sarauí.
No entanto, o encerramento das operações de manutenção da paz, que aconteceu à meia-noite deste sábado, não anula esse direito fundamental, segundo Guterres, que apelou a todas as partes envolvidas para que respeitem e promovam os direitos da população local. O Conselho de Segurança da ONU havia sido incapaz de chegar a um consenso sobre a situação na sexta-feira, o que levou ao encerramento da missão.
A proposta dos Estados Unidos para destravar o conflito de 50 anos, apoiando o princípio da autodeterminação, foi vetada pela Rússia, que alegou que a proposta norte-americana impunha soluções unilaterais. A Rússia, por sua vez, havia sugerido uma prorrogação do mandato por mais um ano, mas essa contraproposta não obteve os votos necessários para aprovação.
Criada em 1991 pela Resolução 690, a Minurso tinha como objetivo realizar um referendo que permitisse que a população escolhesse entre a independência ou a integração a Marrocos. Apesar de a votação nunca ter ocorrido, a missão de paz monitorava o cessar-fogo na região há mais de três décadas. Com o término da Minurso, que contava com mais de 200 forças civis e militares de 35 países, a ONU confirmou que continuará a intermediar o diálogo através do enviado pessoal do secretário-geral, Staffan de Mistura.
Guterres também prestou homenagem aos 20 integrantes da missão que perderam a vida ao longo dos 35 anos de sua atuação, além de agradecer ao representante especial, Alexander Ivanko, pela liderança em um período crítico de reascensão dos confrontos em 2020. O início do domingo foi marcado pelo lançamento do período de liquidação e desmobilização dos equipamentos sob a responsabilidade do Departamento de Apoio Operacional da ONU. O secretário-geral manifestou preocupação com a segurança das pessoas envolvidas e pediu cooperação de todos os atores para manter a estabilidade regional e evitar o aumento das tensões.
Origem: Nações Unidas




