A operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, provocou reações fortes da comunidade internacional, especialmente no que diz respeito ao respeito ao direito internacional e aos direitos humanos. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, expressou sua “profunda preocupação” em relação à situação no país, destacando que a ação dos EUA pode agravar ainda mais as condições de vida e direitos dos venezuelanos.
Durante uma coletiva de imprensa em Genebra, Ravina Shamdasani, porta-voz do alto comissário, afirmou que a intervenção militar torna “todos os Estados menos seguros” e enfatizou que a responsabilização por violações dos direitos humanos não pode ser alcançada por meios unilaterais que desrespeitam a soberania de um país. Mudanças drásticas ocorreram desde a expedição do Estado de emergência na Venezuela, que limita a liberdade de movimento e de reunião e suspende direitos fundamentais em nome da segurança nacional.
As consequências diretas da intervenção já começam a se refletir na vida cotidiana dos venezuelanos, muitos dos quais já enfrentavam sérios desafios. Dados da ONU indicam que quase 8 milhões de pessoas, ou um quarto da população, precisam de assistência humanitária urgente, agravada por anos de crises políticas e econômicas. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU está em busca de 600 milhões de dólares para ajudar com a resposta humanitária.
Com o aumento da militarização e incerteza política, o temor é que a situação em termos de direitos humanos se deteriore ainda mais. O alto comissário apelou para que tanto os Estados Unidos quanto as autoridades venezuelanas respeitem o direito internacional e os direitos humanos, reiterando que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo. Enquanto isso, a ONU continua a monitorar de perto a situação das milhões de pessoas que deixaram a Venezuela em busca de abrigo, destacando que a maioria encontrou refúgio em países vizinhos da América Latina.
Origem: Nações Unidas





