A NVIDIA está se preparando para devolver ao mercado de PCs de consumo com uma proposta ambiciosa: processadores para laptops focados em inteligência artificial (IA), desenvolvidos na forma de system-on-chip (SoC). A estratégia visa romper com a hegemonia de Intel e AMD na CPU de laptops, integrando CPU e GPU em um único pacote com uma abordagem “AI-first”.
De acordo com informações divulgadas, os primeiros dispositivos equipados com esses chips poderão ser lançados em 2026, com a colaboração de fabricantes como Dell e Lenovo. A proposta da NVIDIA inclui um SoC desenvolvido sobre a arquitetura Arm, buscando maior eficiência e autonomia. Além disso, a empresa está buscando parcerias para integrar-se ao ecossistema x86, onde a colaboração com a Intel em certos projetos é mencionada, indicando uma preocupação em não perder espaço no ambiente já consolidado dos PCs Windows.
Ao longo de suas duas décadas de trajetória, a NVIDIA se consolidou como sinônimo de GPU. No entanto, com o crescimento da IA, a linha entre gráficos e computação convencional se tornou menos definida. Agora, a GPU não é apenas um acelerador, mas um motor de inferência e criação de conteúdo. Com o retorno ao PC com um SoC próprio, a NVIDIA ambiciona se tornar a peça central dos laptops, não apenas um componente adicional.
A expectativa de mercado para laptops é enorme, com centenas de milhões de unidades vendidas anualmente, e a redefinição do PC como um dispositivo de IA apresenta uma oportunidade valiosa para a NVIDIA, que não deseja apenas vender GPUs discretas, mas também capturar uma fatia significativa do mercado de plataformas, drivers e desempenho.
A estratégia da NVIDIA se sustenta na eficiência da arquitetura Arm, permitindo a construção de laptops que operem de forma semelhante a smartphones em termos de autonomia e consumo energético, mas que não abdiquem do poder gráfico e das capacidades de IA. A colaboração com a MediaTek, especialista no design de SoCs de baixo consumo, é um exemplo dessa abordagem.
Rumores indicam que a NVIDIA pode estar trabalhando com nomes como N1 e N1X para suas novas plataformas. Já surgiram referências a modelos que a Lenovo poderá desenvolver, além de projetos em andamento pela Dell, com foco em segmentos que vão desde gaming até produtividade premium.
Contudo, os desafios são significativos. A longa história de problemas de compatibilidade do Windows on Arm é uma preocupação, especialmente para usuários de softwares tradicionais e jogos exigentes. A capacidade da NVIDIA de garantir uma experiência de uso sólida em termos de drivers e compatibilidade será crucial para ganhar a confiança dos consumidores.
A entrada da NVIDIA nesse mercado não passa despercebida para Intel e AMD, que têm suas próprias narrativas e inovações. Enquanto Intel aposta em PCs com IA e atualizações em sua linha de CPUs, a AMD consolida sua presença em laptops premium e também busca integrar capacidades de IA em seus produtos.
Com essas movimentações sutis, a NVIDIA se prepara para um entrave competitivo com Intel, AMD e Qualcomm, prometendo agitar as estruturas do mercado de laptops no horizonte de 2026. O sucesso dessa empreitada dependerá de lançamentos bem-sucedidos, planejamento estratégico e a capacidade de criar um ecossistema robusto que atenda as expectativas de desempenho dos usuários.






