A robótica vive um momento de transformação significante: os sistemas estão se tornando mais do que apenas máquinas programadas para realizar tarefas repetidas. Agora, esses sistemas são capazes de “ver, raciocinar e agir” em ambientes reais com uma flexibilidade que se aproxima da humana. Durante a CES 2026, a NVIDIA anunciou um conjunto de “modelos abertos, frameworks e novas infraestruturas” focadas no que a empresa denomina de “Inteligência Artificial física”, em parceria com robôs e máquinas autônomas de gigantes como Boston Dynamics, Caterpillar, Franka Robotics, Humanoid, LG Electronics e NEURA Robotics.
A importância do anúncio reside na prática: construir robôs que conseguem aprender várias tarefas e se adaptar a diferentes contextos demanda um volume de dados, simulação e treinamento que muitos times não conseguem alcançar. A estratégia da NVIDIA visa reduzir essa barreira, oferecendo modelos base e ferramentas que possibilitam aos desenvolvedores se concentrarem na afinação, avaliação e integração em hardware, sem a necessidade de passar por um pré-treinamento complexo.
Dentre os novos modelos apresentados, destacam-se o NVIDIA Cosmos e o Isaac GR00T, projetados para acelerar o aprendizado e o raciocínio robótico. O Cosmos Transfer 2.5 e o Cosmos Predict 2.5 são modelos “totalmente personalizáveis” para gerar dados sintéticos coerentes fisicamente e avaliar políticas em simulação. Já o Cosmos Reason 2, um modelo de raciocínio visão-linguagem, permite que as máquinas consigam “ver, compreender e agir” no mundo físico.
Para os robôs humanoides, a novidade mais chamativa é o modelo NVIDIA Isaac GR00T N1.6, que combina controle de corpo completo com raciocínio contextual por meio do Cosmos Reason. Várias empresas já estão usando esses fluxos de trabalho para simular e validar novos comportamentos antes de implementá-los fisicamente.
A NVIDIA também abordou um problema comum em equipes de robótica: a fragmentação dos processos entre simulação, geração de dados, treinamento e implantação. Para resolver isso, anunciou ferramentas de código aberto através do GitHub. O Isaac Lab-Arena busca padronizar a avaliação e benchmarking de políticas robóticas, enquanto o OSMO é um framework de orquestração que promete unificar fluxos de trabalho, reduzindo a necessidade de soluções improvisadas.
Em termos de hardware, a empresa revelou o módulo Jetson T4000, baseado na arquitetura Blackwell, que promete um avanço significativo em eficiência energética e capacidade computacional, essencial para a robótica e a autonomia.
O portfólio de parceiros da NVIDIA indica a direção da robótica em 2026, abrangendo desde humanoides e manipuladores móveis até máquinas autônomas em setores pesados. Entre as aplicações mais intrigantes está a robótica em ambientes sensíveis, como a saúde, onde não se trata apenas de automação, mas de assistência com precisão em tempo real. A mensagem da empresa é clara: a evolução não virá de um robô “estrela”, mas da combinação de modelos, simulação, avaliação e hardware eficiente, preparando o terreno para um futuro promissor na robótica.





