Em Portugal, o desperdício alimentar continua a ser um problema alarmante, com mais de 180 quilos de comida descartados por pessoa a cada ano. A extenso perda de alimentos não ocorre apenas nas casas, mas permeia toda a cadeia de produção, desde os campos agrícolas até os supermercados e restaurantes. Para enfrentar essa questão crítica, a associação ambientalista Zero lançou o projeto FoodConnect, simultaneamente ao Dia Internacional da Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar, celebrado em 29 de setembro.
Susana Fonseca, representante da Zero, enfatiza que Portugal é um dos países da União Europeia que mais desperdiça alimentos, um problema que se agrava devido ao turismo intensificado no país. A nova aplicação, desenvolvida em colaboração com parceiros de Malta e Chipre, visa transformar a gestão de excedentes alimentares através de uma plataforma digital gratuita. Diferente de outras iniciativas, o FoodConnect se dedica exclusivamente à doação, sem qualquer custo para o doador ou para o beneficiário.
A funcionalidade do FoodConnect é simples e eficiente. Os doadores se registram em uma plataforma online e as ofertas de alimentos ficam disponíveis em um aplicativo utilizado por aqueles que precisam. Instituições de solidariedade e indivíduos podem acessar os alimentos disponíveis em sua área, reservar uma caixa e coletá-la em um horário e local pré-definidos. Essa ligação direta entre doadores e beneficiários é uma das principais metas do projeto.
Além de atender a uma necessidade social, a inciativa também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, contribuindo para a redução do impacto ambiental causado pelo desperdício alimentar. Cada alimento perdido representa um desperdício de recursos naturais, como água e solo, além do esforço humano envolvido em sua produção, transporte e embalagem.
O FoodConnect se destaca ainda pelo compromisso com o anonimato dos beneficiários, garantindo que não sejam avaliados com base em sua situação econômica. A recolha de alimentos é feita mediante um identificador único apresentado no celular, assegurando a privacidade de quem recebe. Essa abordagem visa desestigmatizar a ideia de que os excedentes alimentares beneficiam apenas aqueles em situação de vulnerabilidade.
A plataforma é um convite aberto a todos os cidadãos que desejam contribuir para a redução do desperdício alimentar e, ao mesmo tempo, minimizar a pegada de carbono associada à cadeia de alimentos. O esforço coletivo de salvar alimentos não é apenas um benefício para os necessitados, mas um passo importante em direção a uma sociedade mais sustentável.
Origem: Nações Unidas





