O continente africano enfrenta um desafio significativo em relação ao acesso à eletricidade, com cerca de 600 milhões de pessoas ainda sem energia. À medida que a população cresce, a urbanização aumenta e o desenvolvimento econômico avança, há um movimento crescente em direção a programas de energia nuclear. A Agência Internacional da Energia Atómica (Aiea) lançou recentemente um relatório intitulado “Perspectivas para a Energia Nuclear em África”, destinado a apoiar a presidência da África do Sul no G20 em 2025.
Atualmente, a África do Sul é o único país do continente a operar uma central nuclear. No entanto, a publicação revela que 16 outras nações, incluindo Senegal e Zâmbia, estão considerando ou já iniciaram a construção da infraestrutura necessária para desenvolver energia nuclear. O crescente interesse é atribuído à introdução de pequenos reatores modulares (SMR), que prometem custos de construção mais baixos e prazos mais curtos em comparação com os reatores tradicionais, tornando-se ideais para redes elétricas menores.
Enquanto a África produz 14% do urânio global, a combinação dessa riqueza mineral com novos investimentos na gestão do ciclo do combustível pode abrir portas para o avanço da tecnologia nuclear no continente. No entanto, a escassez de financiamento continua a ser um obstáculo significativo para a realização de projetos de energia nuclear e renovável, que atualmente recebem apenas 2% dos investimentos globais.
A Aiea destaca o potencial da cooperação regional na adoção da energia nuclear, promovendo o compartilhamento de custos e conhecimento entre países e aumentando seu poder de negociação com parceiros internacionais. A integração no contexto do Mercado Único Africano de Eletricidade pode ser um passo crucial para incorporar reatores nucleares nas redes elétricas do continente.
Como parte de suas iniciativas, a Aiea enfatiza a importância do compromisso nacional na criação de programas nucleares eficazes, ressaltando a necessidade de coordenação e apoio político substancial. Esse impulso por uma transição em direção à energia nuclear reflete não apenas uma resposta às necessidades energéticas, mas também uma estratégia para o desenvolvimento sustentável e a autonomia energética de várias nações africanas.
Origem: Nações Unidas





