Os microrganismos têm revelado segredos intrigantes sobre a origem da vida, oferecendo pistas valiosas sobre a sua adaptabilidade em condições extremas. Sharath Chandra Thota, um estudante de doutoramento em Biodiversidade, Genética e Evolução da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), tem se dedicado a investigar esses seres fascinantes, especialmente em ambientes remotos como a Antártida. Recentemente, o jovem cientista de 28 anos retornou a Portugal após um mês imerso em trabalho de campo na Estação King Sejong.
Durante sua expedição, Sharath coletou amostras de flocos de neve, água da chuva e ar, em condições meteorológicas desafiadoras, com ventos que atingiam velocidades de até 90 km/h. “A esterilização é essencial em microbiologia e realizar essa tarefa em temperaturas abaixo de zero foi um verdadeiro desafio”, relatou Sharath, que enfrentou o frio extremo com coragem e determinação.
O principal foco da pesquisa de Thota é entender como os rios atmosféricos, que servem como corredores para a transferência de umidade na atmosfera, podem introduzir novas comunidades microbianas na Antártida. Ele se questiona sobre a proveniência desses microrganismos e o papel que desempenham no ecossistema polar. As suas descobertas poderão contribuir para a compreensão da biodiversidade em ambientes gelados e os impactos das mudanças climáticas.
Sharath destaca a colaboração e o espírito de equipe que existiram durante a expedição, algo que considerou raro em um ambiente que muitos acreditam ser isolado. Sob a orientação de Irina Gorodetskaya, especialista em meteorologia polar, ele aprendeu a integrar dados atmosféricos com microbiologia, alterando sua perspectiva sobre a precipitação, que agora considera como sistemas de transporte biológico.
Atualmente, Thota continua seu trabalho no CIIMAR, onde realiza análises moleculares e microbiológicas sob a supervisão de Catarina Magalhães, especialista na área. Sua pesquisa é apoiada pelo Atlantic International Research Centre e representa uma importante contribuição para os campos da microbiologia polar e da investigação climática. Com um percurso marcado por desafios, o jovem investigador não apenas perseverou em seu sonho, mas também visa explorar novas fronteiras na ciência, revelando como a vida microscópica pode impactar o sistema climático da Terra.
Origem: Universidade do Porto






