Agências humanitárias da ONU emitiram um alerta nesta sexta-feira sobre os graves impactos da falta de energia na Ucrânia, resultante de ataques russos, especialmente sobre a população feminina. Durante rigoroso inverno, muitas mulheres enfrentam a escassez de calefação, eletricidade e abrigo seguro, conforme relatou Sofia Calltorp, chefe de Ação Humanitária da ONU Mulheres, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.
Calltorp destacou o sofrimento das famílias que, sem aquecimento, enfrentam “condições climáticas brutais”. Desde o início do conflito, a capacidade de geração de energia da Ucrânia foi severamente comprometida, com 65% das instalações destruídas. Esses apagões, segundo a representante da ONU, não são apenas questões técnicas, mas ameaçam diretamente a segurança e a estabilidade econômica das mulheres, limitando sua mobilidade e aumentando sua vulnerabilidade a assédios.
Além disso, muitas ucranianas que atuam em setores como educação e saúde estão perdendo seus empregos devido aos prolongados cortes de energia. Relatos de cidadãs de Kyiv evidenciam a desesperadora realidade: sem eletricidade, não há como manter a educação das crianças ou a própria estabilidade financeira.
O ano de 2025 se tornou um marco sombrio, com mais de 5 mil mulheres e meninas confirmadas como vítimas fatais do conflito. O apoio a organizações lideradas por mulheres, que têm sido fundamentais na resposta humanitária, está em risco por causa de cortes de financiamento. Uma pesquisa recente revelou que uma em cada três dessas organizações pode não sobreviver por mais de seis meses. Estima-se que, se a situação não mudar, 63 mil mulheres perderão acesso a serviços essenciais, como apoio a sobreviventes de violência.
A situação é ainda mais complicada pela violência contra profissionais de saúde, com a Organização Mundial da Saúde registrando mais de 2.870 ataques ao longo do conflito. Isso resultou em um número alarmante de mortes e ferimentos, evidenciando a falta de recursos e a deterioração das condições em que esses serviços operam. O porta-voz da OMS destacou que o número de pessoas com deficiência aumentou significativamente desde fevereiro de 2022, refletindo o impacto severo da guerra na sociedade ucraniana.
Origem: Nações Unidas






