Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, que será celebrado em 8 de março, uma nova pesquisa da ONU Mulheres destaca a crescente preocupação com o uso de deepfakes, uma tecnologia que permite criar vídeos e imagens manipuladas digitalmente. O estudo revela que 98% dos deepfakes disponíveis online têm conteúdo pornográfico não consensual, criando um ambiente hostil para mulheres e meninas que se tornam alvos de ataques cibernéticos.
O fenômeno dos deepfakes, que tem gerado um aumento exponencial na sua utilização, coloca em risco a segurança e a dignidade de mulheres em todo o mundo. Em muitos casos, essas tecnologias têm sido usadas para criar representações falsas e sexualizadas, causando danos psicológicos severos às vítimas. Além da sensação de impotência, muitas mulheres relatam estar pensando em se suicidar diante da exposição e da difamação.
Apesar de alguns países já terem tipificado os deepfakes como crime, a legislação em muitos lugares ainda é insuficiente para coibir essas práticas. No Brasil, as reformas legais implementadas em 2025 promovem a responsabilização por violência psicológica utilizando inteligência artificial, mas a necessidade de uma abordagem mais proativa e abrangente permanece clara. Nos Estados Unidos, uma recente legislação estabelece um prazo de 48 horas para que as plataformas retirem conteúdos abusivos, mas a eficácia dessa norma depende da fiscalização e do cumprimento por parte das empresas.
As plataformas digitais, que frequentemente evitam a responsabilidade pelo conteúdo gerado por usuários, precisam adotar medidas mais rígidas contra o compartilhamento de deepfakes. Atualmente, sobreviventes enfrentam uma luta quase impossível para remover suas imagens de diversas redes sociais, enquanto o sistema de justiça muitas vezes não fornece o apoio necessário, perpetuando um ciclo de trauma e impunidade.
Com a evolução rápida dessa tecnologia nociva, especialistas da ONU enfatizam a urgência de um esforço conjunto entre governos, plataformas digitais e instituições para criar legislações que realmente atendam às necessidades das vítimas e impeçam futuros abusos. A iniciativa deve incluir educação sobre consentimento e segurança online para reduzir a incidência desse tipo de violência digital, que é apenas a face visível de um problema muito mais profundo relacionado à desigualdade de gênero e abuso contra mulheres e meninas.
Origem: Nações Unidas






