Um estudo inovador realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com a Faculdade de Medicina Dentária da U.Porto (FMDUP) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da U.Porto (i3S), revela novas perspectivas sobre a saúde materna e infantil. Os resultados indicam que a microbiota materna pode servir como um biomarcador precoce de risco cardiometabólico nos filhos e ainda como uma “janela crítica” para intervenções nutricionais de longo alcance.
A pesquisa investiga o papel da microbiota no sistema cardiovascular durante a gravidez e no pós-parto, um tema até então pouco explorado. A equipe coletou amostras de sangue, saliva e fezes de mulheres grávidas, além de amostras de sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos, para analisar como a microbiota oral e intestinal influencia a saúde cardiovascular.
As principais avaliações foram realizadas no final da gestação e em três momentos diferentes após o parto, com um subgrupo participando de uma intervenção de educação alimentar voltada para a promoção da dieta mediterrânica. Os dados obtidos mostraram uma relação significativa entre as bactérias da saliva e das fezes e a saúde cardíaca das mães e dos bebês.
Juliana Morais, uma das pesquisadoras envolvidas, destacou que a pesquisa sublinha a inter-relação entre a microbiota e as adaptações fisiológicas do corpo durante e após a gravidez. Além disso, o estudo explora como a programação intergeracional do risco cardiometabólico pode ocorrer mediante a transferência de componentes essenciais da mãe para o filho.
Os achados sugerem que certos ácidos gordos e adipocinas podem servir como biomarcadores importantes, fortalecendo a necessidade de monitoramento contínuo da saúde materna e infantil. Juliana Morais enfatizou a importância de considerar intervenções durante o pós-parto, reconhecendo essas fases como críticas para modificar o risco cardiometabólico em gerações futuras.
Este trabalho foi apresentado pela primeira vez em abril na FMUP e envolveu a colaboração de diversos cientistas de instituições nacionais. A coorte PERIMYR/OralBioBorn continua a recrutar mulheres grávidas, e informações adicionais estão disponíveis através de um contato específico.
Origem: Universidade do Porto





