No centro-sul do Paraná, a erva-mate é cultivada em harmonia com a floresta nativa, uma prática que se destaca no cenário agrícola e ambiental do Brasil. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), esse sistema de produção sombreada não apenas sustenta a agricultura familiar, mas também preserva a cobertura florestal da Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais ameaçados do país.
As comunidades locais se organizam para gerenciar a vegetação, a regeneração e a biodiversidade, permitindo a produção sem desmatar as áreas nativas. Em localidades como Pontilhão e Paço do Meio, mais de 130 famílias dependem diretamente da colheita da erva-mate, que representa cerca de 70% da renda familiar. Os produtores adotam métodos que respeitam os ciclos ecológicos, colhendo as folhas a cada três anos para garantir a regeneração das plantas.
Além disso, a prática agroecológica elimina a necessidade de agroquímicos, promovendo a proteção das fontes hídricas e a saúde do solo. O conhecimento sobre o manejo e a colheita é transmitido entre gerações, incentivando uma gestão sustentável do território. O sistema agroflorestal também cria um ambiente biodiverso, onde a erva-mate cresce junto a outras espécies, ajudando a controlar pragas naturalmente.
Em um contexto mais amplo, a erva-mate também possui um significado cultural profundo nas comunidades indígenas, como o povo Guarani, que a considera parte integrante de sua identidade e de sua relação com a floresta. Com práticas que envolvem rituais e cerimônias, as comunidades indígenas mantêm uma gestão coletiva que garante a preservação do ecossistema.
Recentemente, em maio de 2025, o sistema tradicional de erva-mate sombreada do Paraná foi reconhecido como Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial pela FAO, um destaque que reforça a contribuição das comunidades locais para a biodiversidade e a cultura. Essa distinção também ressalta como a conservação da floresta está intrinsicamente ligada às práticas sustentáveis das comunidades que nela habitam, assegurando a continuidade de seus modos de vida e a integridade dos ecossistemas. Assim, a sobrevivência da floresta com araucárias se torna um reflexo do compromisso comunitário com a natureza e a cultura regional.
Origem: Nações Unidas






