O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) finalizou as assembleias comunitárias da iniciativa “Vozes da Vizinhança”, que visou conectar investigadores e a comunidade do centro histórico do Porto em um diálogo sobre saúde e políticas públicas. O projeto, que começou em outubro de 2025, envolveu cerca de 20 participantes em discussões sobre questões que afetam a vida cotidiana na cidade.
Durante cinco sessões, os presentes levantaram preocupações como o ruído urbano, a limpeza das ruas, a mobilidade, a falta de espaços verdes e as condições de habitação. O ruído, especialmente, foi identificado como uma grande fonte de incômodo, prejudicando o descanso e a saúde mental dos moradores. Questões sobre limpeza pública também foram amplamente debatidas, com participantes expressando descontentamento pela presença de lixo e pragas.
Além disso, as assembleias abordaram a escassez de espaços verdes, a insegurança na mobilidade e a crise da habitação, refletindo sobre as pressões imobiliárias que estão levando à precariedade habitacional e à fragmentação comunitária. Os relatos de despejos forçados e a degradação das condições de vida afetaram profundamente o bem-estar dos moradores.
Ao final do ciclo, um documento foi elaborado com propostas para uma “cidade mais saudável”, buscando influenciar as decisões políticas locais. O documento destaca a importância da transparência na informação, do envolvimento contínuo da comunidade e do apoio jurídico, especialmente em questões habitacionais.
Essa iniciativa revela-se mais do que um simples diagnóstico, mostrando-se um modelo de participação cívica que fortalece a relação entre a ciência, a comunidade e a elaboração de políticas efetivas. Como enfatizado no fechamento do documento, “proteger a saúde e o bem-estar de quem habita o centro histórico é proteger a essência do Porto”.
Origem: Universidade do Porto






