Nesta terça-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, informou que o mundo possui as ferramentas necessárias para tornar o câncer de colo do útero “o primeiro tipo de câncer a ser eliminado”. A declaração surge no contexto de janeiro, um mês dedicado à conscientização sobre a doença. Em entrevista à ONU News, Luisa Lina Villa, diretora do Laboratório de Inovação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, ressaltou que, apesar da disponibilidade de vacinas, testes e tratamentos, as mortes continuam em níveis alarmantes.
“Este ainda é um tumor que mata muitas mulheres, especialmente na faixa etária de 40 a 45 anos, geralmente em momentos críticos de suas vidas, como a formação de famílias”, destacou Villa. Anualmente, aproximadamente 300 mil mortes são registradas, sendo a maioria evitável, dada a existência de métodos de prevenção eficazes. Villa enfatizou que o câncer de colo do útero está quase sempre associado à infecção por tipos de alto risco do vírus do papiloma humano (HPV).
No Brasil, a situação é preocupante, com cerca de 17 mil novos casos diagnosticados por ano, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde as taxas de incidência são cerca de três vezes maiores do que em países desenvolvidos. Villa, que estuda o HPV há mais de quatro décadas, elogiou a eficácia da vacinação, que contribuiu para a redução de infecções, doenças e mortes associadas ao câncer.
A especialista fez um apelo por um investimento substancial em comunicação para esclarecer a população sobre a importância da vacinação, já que a desinformação tem impactado negativamente os índices de cobertura vacinal no Brasil. “A falta de conhecimento sobre a vacina e seus possíveis efeitos adversos ainda gera desconfiança e, consequentemente, afeta a imunização”, declarou.
Ela ainda alertou que, para aquelas mulheres que não estão vacinadas, o rastreamento é fundamental, pois a doença é tratável se identificada em estágio inicial. No entanto, muitas mulheres nas áreas mais vulneráveis só são diagnosticadas em fases avançadas da doença. Villa enfatizou a importância do acesso ao tratamento, não apenas para aquelas que estão em tratamento, mas também para assegurar que todas as mulheres tenham equalidade no cuidado de sua saúde.
Por fim, Luisa Villa solicitou cooperação global para seguir as recomendações da OMS em relação à vacinação e rastreamento do câncer de colo do útero, ressaltando que atualmente 162 países já incluem a vacina contra o HPV em seus programas nacionais de imunização.
Origem: Nações Unidas






