A Intel, gigante da tecnologia, promete reforçar sua posição como fornecedora “doméstica” de semicondutores para missões críticas nos Estados Unidos. A empresa se destacou como adjudicatária do contrato SHIELD (Scalable Homeland Innovative Enterprise Layered Defense), um contrato IDIQ (indefinite-delivery/indefinite-quantity) cujo teto é de impressionantes 151 bilhões de dólares. É importante esclarecer que esse teto representa o potencial máximo do programa, e não um valor garantido de gastos. Os rendimentos reais da Intel dependerão das ordens específicas (task orders) que forem concedidas ao longo dos anos.
A informação sobre a inclusão da Intel no SHIELD foi divulgada em um post no LinkedIn de James Chew, vice-presidente de Tecnologia Governamental da empresa. Chew destacou a capacidade da Intel de oferecer fabricação dentro dos Estados Unidos, além de um fornecimento robusto e avançado. No entanto, a natureza abrangente do SHIELD e sua estrutura de múltiplos adjudicatários podem tornar a confirmação da vitória da Intel menos transparente para o público em geral.
O SHIELD foi criado como um mecanismo ágil de contratação, permitindo que o governo preselecione empresas qualificadas e emita pedidos de forma mais eficiente. Para a Intel, esses contratos representam uma demanda estável alinhada com as prioridades estratégicas do país, especialmente em um momento em que a empresa busca comprovar sua capacidade de produção nos Estados Unidos.
Além disso, a recente ênfase em “fabricação local” e a resiliência na cadeia de suprimentos se tornaram argumentos decisivos na política de Washington. A Intel já recebeu investimentos para o programa Secure Enclave, voltado para microeletrônica relacionada à segurança nacional, com um orçamento de até 3 bilhões de dólares, conforme informado pela Reuters.
A relação entre o Pentágono e a indústria de semicondutores não é nova. Anteriormente, o Departamento de Defesa lançou iniciativas como o programa RAMP-C (Rapid Assured Microelectronics Prototypes – Commercial), que visa reduzir a dependência de chips asiáticos em sistemas críticos. Esse histórico ilustra uma contínua tentativa de moldar a capacidade industrial nacional por meio de contratos públicos.
Embora a conquista do SHIELD possa parecer uma vitória, o verdadeiro teste para a Intel será a obtenção de ordens específicas. O mercado olhará com atenção para o valor real das ordens, bem como para a diversidade e eficácia das tecnologias oferecidas pela empresa. A adoção de contratos como o SHIELD reflete uma reconfiguração mais ampla na indústria, responsável por fornecer segurança e consistência no fornecimento de componentes críticos.
Enquanto isso, o governo dos EUA continua a priorizar chips fabricados localmente para garantir controle sobre a cadeia de suprimentos e atender a requerimentos de segurança em sistemas essenciais. A estratégia industrial não apenas demanda a produção de semicondutores, mas também procura formas de garantir a soberania tecnológica do país.






