Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, em colaboração com o Laboratório Associado para a Química Verde, desenvolveram um hidrogel inovador que pode transformar o tratamento da dermatite atópica, uma patologia que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. A dermatite atópica atinge uma em cada cinco crianças e cerca de 10% dos adultos, causando não apenas desconforto físico, como coceira e secura da pele, mas também impacto significativo na qualidade de vida dos afetados, refletindo em distúrbios do sono e desempenho escolar ou profissional.
Atualmente, os tratamentos disponíveis, frequentemente feitos com corticosteroides tópicos, apresentam efeitos colaterais quando utilizados por longos períodos. A pesquisadora Sofia Lima, do Departamento de Química do ICBAS, explica que a nova formulação visa minimizar esses efeitos adversos, oferecendo uma alternativa que promete melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O estudo, publicado no Journal of Drug Delivery Science and Technology, revelou que o hidrogel, feito a partir de biomateriais renováveis de origem marinha, não só hidrata a pele como melhora a entrega de medicamentos. O hidrogel utiliza nanopartículas para transportar betametasona, um anti-inflamatório frequentemente usado em condições cutâneas, permitindo uma liberação controlada que pode aumentar a eficácia do tratamento e reduzir a necessidade de aplicações frequentes, minimizando riscos associados à absorção sistêmica.
Teste laboratorial indicam que o biomaterial é bem tolerado por células humanas e possui propriedades anti-inflamatórias, eficientemente reduzindo mediadores associados à inflamação da dermatite atópica. Além disso, o hidrogel demonstrou potencial para restaurar a barreira cutânea e hidratar as camadas superficiais da pele.
Sofia Lima acredita que esta pesquisa pode abrir portas para novas terapias tópicas mais seguras e eficazes para a dermatite atópica e outras doenças inflamatórias da pele, embora reconheça a necessidade de estudos clínicos adicionais para validar a eficácia e segurança do tratamento em humanos. O projeto conta ainda com a colaboração da ULS Santo António, do dermatologista e docente Tiago Torres, e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, além do Síncrotrão ALBA, em Barcelona.
Origem: Universidade do Porto






