As investigadoras Sofia Barros e Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foram recentemente premiadas com duas ECCO Grant, uma iniciativa da European Crohn’s and Colitis Organisation que visa apoiar a pesquisa na área da Doença de Crohn e outras patologias inflamatórias intestinais. Cada uma delas receberá um financiamento de 80 mil euros para desenvolver projetos inovadores que prometem avanços significativos no tratamento e compreensão destas doenças.
O projeto de Sofia Barros enfoca uma nova abordagem terapêutica para tratar a Doença de Crohn, caracterizada por inflamação crónica do trato gastrointestinal. A investigadora propõe uma terapia oral de dupla ação, que combina a budesonida, uma medicação contra a inflamação, e a teduglutida, que favorece a regeneração da mucosa intestinal. Esta terapia será administrada por meio de nanopartículas sensíveis a espécies reativas de oxigénio, permitindo a liberação localizada dos medicamentos nas áreas afetadas, aumentando assim a eficácia do tratamento e reduzindo efeitos colaterais indesejados.
“Esta distinção representa o reconhecimento do trabalho que tenho vindo a desenvolver e dá-me condições para consolidar a minha linha de investigação em novas abordagens terapêuticas para a Doença de Crohn”, afirma Sofia, que integra o grupo “Nanomedicines & Translational Drug Delivery”, liderado por Bruno Sarmento.
Por sua vez, o projeto de Inês Alves foca na análise dos mecanismos imunológicos que precedem o desenvolvimento da Doença Inflamatória Intestinal. De acordo com pesquisas realizadas pelo grupo “Immunology, Cancer & Glycomedicine”, liderado por Salomé Pinho, variações nos glicanos, açúcares presentes na superfície das células intestinais, podem levar a respostas imunes adversas anos antes dos primeiros sintomas clínicos. Com a ECCO Grant, Inês Alves pretende identificar as células imunes que reconhecem esses açúcares e caracterizar os anticorpos envolvidos, o que poderá facilitar a identificação de novos biomarcadores no sangue, permitindo diagnósticos mais precoces e um tratamento mais eficaz.
“Esta distinção representa uma oportunidade única para aprofundar o conhecimento da Doença de Crohn e desenvolver novas abordagens de diagnóstico e prevenção, com impacto direto na qualidade de vida dos doentes”, ressalta Inês Alves.
Origem: Universidade do Porto






