A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgou nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, um relatório que revela que o mercado de arrendamento em Portugal permanece “subdesenvolvido e fragmentado”. O estudo indica que apenas 12% das famílias portuguesas vivem em casas arrendadas, enquanto até 60% dos arrendamentos podem ser informais. A OCDE aponta que as reformas anteriores, que tinham como objetivo estimular a oferta de arrendamento, não conseguiram obter resultados significativos devido à fragmentação regulatória, ao congelamento de rendas anteriores a 1990 e à incerteza provocada por constantes mudanças políticas.
Além de criticar a baixa oferta habitacional, o relatório da OCDE também destaca as dificuldades relacionadas à eficiência energética das habitações em Portugal, onde a qualidade das edificações contribui para altos níveis de pobreza energética. Os dados mostram que, apesar do clima favorável e da demanda energética relativamente baixa, a precariedade na habitação impacta diretamente a saúde e o bem-estar da população. A análise revela que o investimento em habitação tem sido fraco nas últimas décadas, com um aumento significativo dos preços dos terrenos e dos custos de construção, agravado pela escassez de mão-de-obra qualificada.
O cenário se torna ainda mais complicado com o crescimento da procura habitacional impulsionado por cidadãos estrangeiros, que representam cerca de 10% das transações imobiliárias entre 2019 e 2024. Este aumento é atribuído aos imóveis de maior valor que atraem investidores internacionais, incluindo os vistos ‘gold’. Ao mesmo tempo, a pressão do turismo, especialmente com o crescimento de alugueres de curta duração, complicou ainda mais a situação do mercado imobiliário. Em Lisboa, por exemplo, o número de imóveis listados no Airbnb cresceu significativamente, refletindo a dinâmica desafiadora do setor habitacional na capital portuguesa.
Ler a história completa em Idealista Portugal






