A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) publicou um relatório abrangente que analisa o futuro das políticas de criatividade, utilizando dados provenientes de mais de 120 países. Intitulado “Re-Shaping Policies for Creativity”, o estudo examina como a transformação digital, o crescimento da Inteligência Artificial (IA), as mudanças no comércio global e os riscos à liberdade artística estão redefinindo o cenário das indústrias culturais e criativas.
O relatório revela que, apesar do reconhecimento crescente das indústrias culturais como motores de crescimento econômico e coesão social, elas permanecem subvalorizadas e vulneráveis. Segundo a pesquisa, 85% dos países participantes incluem as indústrias culturais em seus planos de desenvolvimento, mas apenas 56% estabelecem objetivos culturais específicos, destacando um descompasso entre promessas e ações concretas.
No que diz respeito ao comércio de bens culturais, o estudo revela que ele dobrou para US$ 254 bilhões em 2023, com 46% das exportações originadas em países em desenvolvimento. No entanto, esses países representam apenas 20% do comércio global de serviços culturais, evidenciando um desiquilíbrio acentuado à medida que as transações se tornam digitais. O financiamento público direto para a cultura ainda é alarmantemente baixo, situando-se abaixo de 0,6% do PIB global e apresentando uma tendência de queda.
Além disso, a digitalização aumentou o acesso a ferramentas e audiências, mas ampliou também as desigualdades e a instabilidade financeira dos criadores. O relatório aponta que a receita proveniente de fontes digitais saltou de 17% em 2018 para 35% atualmente, evidenciando uma transformação no modelo econômico das indústrias criativas, embora essa mudança traga consigo um aumento na precariedade e uma maior exposição a violações de propriedade intelectual.
A questão da mobilidade artística é outro tema crucial abordado. A pesquisa revela que, enquanto 96% dos países desenvolvidos apoiam a mobilidade de artistas para o exterior, apenas 38% facilitam a entrada de artistas oriundos de nações em desenvolvimento. Isso cria barreiras significativas para criadores de regiões com menos acesso a recursos e infraestrutura de apoio.
Por fim, o relatório destaca as disparidades de gênero e a necessidade de uma maior representação feminina nas lideranças culturais. Embora a participação das mulheres em posições de liderança tenha crescido, a distribuição desigual entre países desenvolvidos e em desenvolvimento permanece uma preocupação. Assim, a UNESCO sublinha a urgência de reafirmar políticas e mecanismos para apoiar a cultura e criatividade, especialmente em um cenário global em rápida transformação.
Origem: Nações Unidas






