Nos últimos meses, três notícias aparentemente desconectadas têm revelado uma realidade crescente: a economia da Inteligência Artificial (IA) vai além de software, modelos e “prompts”. O foco recai sobre a robustez industrial, que envolve eletricidade, minerais críticos e o acesso a unidades de processamento gráfico (GPUs), atualmente vistas como moeda de poder tecnológico.
A primeira indicação dessa nova dinâmica surge da China, onde empresas de tecnologia estão considerando recorrer ao mercado negro para adquirir GPUs NVIDIA H200. De acordo com relatos, essas unidades têm sido retidas na fronteira, refletindo um ambiente de incerteza regulatória e política que está complicando as importações.
A OpenAI, por sua vez, apresentou dados que destacam a relação direta entre a capacidade computacional disponível e a geração de receitas. Em um comunicado assinado pela CFO Sarah Friar, a empresa mostrou que a demanda por capacidade computacional deve saltar de 0,2 GW em 2023 para cerca de 1,9 GW em 2025, enquanto as receitas recorrentes anuais devem crescer de US$ 2 bilhões para mais de US$ 20 bilhões no mesmo período.
Nos Estados Unidos, outro movimento relevante foi verificado: a empresa Noveon Magnetics anunciou um investimento de US$ 215 milhões para ampliar sua capacidade de produção de imãs de terras raras, essenciais para motores elétricos, robótica e defesa. Este movimento acontece em um momento em que a dependência de fornecedores externos é considerada um risco estratégico.
As implicações dessas mudanças são profundas e evidenciam que a competição na IA não se limita mais somente a talentos ou algoritmos, mas também a capacidade física e contratos de fornecimento. A escassez de recursos computacionais está se tornando um fator diferenciador que separa aqueles que podem escalar suas operações daqueles que ficam apenas na fase de demonstração.
Além disso, essa nova realidade suscita dilemas quanto à segurança e à ética no uso da IA. A capacidade de acesso ao hardware se transforma em uma questão geopolítica, onde a confiabilidade da cadeia de suprimentos e a rastreabilidade se tornam primordiais. O futuro da IA poderá depender não apenas do que ela pode realizar, mas de quem controla os recursos necessários para seu funcionamento e quais incentivos econômicos são aplicados em situações de escassez.
À medida que nos dirigimos para 2026, as regras de segurança na IA deixarão de ser meras considerações teóricas para se tornarem vitalmente relevantes na construção de infraestruturas de confiança que suportem essa crescente indústria. A esfera da IA se expandiu, e com isso, ainda mais complexidade emergirá nas interações entre tecnologia, economia e geopolítica.






